Calor pode ser o responsável pelo acordar cansado, mesmo tendo dormido a noite toda

Nutrólogo explica como o aumento da temperatura interfere no sono reparador e no metabolismo

JI-PARANÁ – Na Região Norte, chegamos ao período mais quente do ano: verão amazônico. É comum que as temperaturas permaneçam elevadas mesmo durante a noite. Em muitas cidades, os termômetros continuam acima dos 25°C ou 26°C na madrugada, dificultando o resfriamento natural do organismo e comprometendo a qualidade do sono.

Altas temperaturas podem comprometer a qualidade do sono e fazer com que a pessoa acorde cansada mesmo depois de permanecer várias horas na cama. O calor dificulta a redução natural da temperatura corporal, processo necessário para o início e a manutenção de um descanso adequado.


Segundo o médico nutrólogo Caio Moura, docente da Afya Ji-Paraná, os prejuízos provocados pelo calor durante a noite já são demonstrados pela ciência. Antes de dormir, o organismo reduz levemente a própria temperatura. Para isso, aumenta o fluxo sanguíneo para a pele, principalmente nas mãos e nos pés, facilitando a liberação de calor para o ambiente.

Essa queda funciona como um sinal para que o cérebro inicie e mantenha o sono. Quando a temperatura do ambiente está elevada, porém, o corpo encontra dificuldade para dissipar o calor e precisa continuar trabalhando para tentar resfriar o organismo.

“Quando a pessoa dorme mal por vários dias seguidos, o organismo passa a produzir mais cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Ao mesmo tempo, ocorrem alterações em hormônios relacionados à fome e à saciedade, como a leptina e a grelina. O resultado pode ser aumento do apetite, maior desejo por alimentos ricos em açúcar e gordura e mais dificuldade para controlar o peso”.

O calor também reduz o tempo de permanência nas fases mais profundas e reparadoras do sono. Entre elas estão o sono REM, relacionado à consolidação da memória e ao aprendizado, e o estágio N3, fundamental para a recuperação física. “O resultado é um sono mais fragmentado. A pessoa acorda mais vezes durante a noite, mesmo que sejam despertares muito rápidos, os chamados microdespertares”, explica o médico.

Por isso, mesmo quem dorme durante um período considerado adequado pode acordar com a sensação de que não descansou. Para o dr. Caio, “na prática, isso significa acordar cansado, sentir mais dificuldade para se concentrar no trabalho, apresentar queda no rendimento físico, maior irritabilidade e até cometer mais erros em atividades que exigem atenção”.

Quando o problema se repete, os efeitos aparecem ao longo do dia. Entre as consequências estão a piora da atenção, da memória, da disposição e da recuperação física.

De acordo com Caio Moura, noites mal dormidas provocadas pelo calor também podem afetar o metabolismo, especialmente quando a exposição às altas temperaturas e a fragmentação do sono se tornam frequentes.

Fonte: agênciacatraia


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