NEW JERSEY (EUA) – Acabou a aura do pentacampeão da Champions League. As cobranças vieram fortes. A decepção com suas decisões foi generalizada. O Brasil começou muito mal a Copa do Mundo. E deve apelar para quem? Sim, ele… Neymar. Como já fizeram Felipão, Dunga, Tite, Fernando Diniz, Dorival Júnior…
Por Cosme Rímoli
Direto de New Jersey, dos Estados Unidos – A sala de coletiva do MetLife estava lotada. Só que destas vezes não havia espaço para sorrisos. Nem trocas de gentilezas, perguntas sobre como é a vida do ‘Mister’ no Rio de Janeiro.
Não, Ancelotti teve de responder pelo péssimo futebol da Seleção , no empate sofrido, decepcionante, contra Marrocos.
Vivido, aos 67 anos, ele percebeu o tom de desilusão, de cobrança, de desaprovação do Brasil tenso, encolhido diante do toque de bola, dos dribles, do domínio do time africano, que deveria ter vencido o jogo, não só empatado em 1 a 1.

“Não temos que perder a confiança, porque no primeiro jogo da Copa do Mundo, tudo pode acontecer.
“Não podemos pensar que a equipe está perfeita no primeiro jogo. Levamos esse resultado, que não é ruim”.
Ele sentiu a desaprovação geral dos jornalistas que o cultuavam. Felipão, Dunga, Tite, Fernando Diniz e Dorival Júnior devem ter recordado o quanto é terrível ser o responsável pela desilusão com a Seleção.
Culpa que ele tentou repassar aos jogadores.
“Eu acho que não começamos bem no jogo. O time estava um pouco preocupado. Perdemos muitas bolas, muitos duelos.
“Um pouco de ansiedade, acho que sim. Na primeira etapa eles (jogadores de Marrocos) saíam da pressão e faziam transições perigosas. Poderíamos ter mais controle.”
Isso ficou evidente, depois que Marrocos deu dez arremates ao gol do Brasil. E a Seleção apenas quatro.
Se não fosse pelo lance isolado de Vinicius Junior, provavelmente o Brasil estaria amargando uma derrota.

“Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo. Não estou satisfeito”, tentou deixar claro. Mas em seguida precisou se justificar. Sobre o motivo de ter ‘demorado’ para trocar Ibañez e Casemiro que estavam muito, mas muito mal na partida. Além de Igor Thiago, que quase não tocou na bola.
A pergunta o irritou ainda mais.
“Bom, eu fiz duas substituições no minuto 45 (no intervalo, quando saíram Ibañez e Casemiro). E outra aos 59 (Igor Thiago). Entenderam?”
Ancelotti foi indagado sobre o óbvio. Mudanças profundas na equipe na partida, que se tornou decisiva, contra o Haiti, sexta-feira, na Pensilvânia. Já que a Escócia venceu o confronto por 1 a 0 e é líder do grupo C.
“O time? Pode mudar, dependendo das característica da equipe rival.”
Sim, a ‘saída’ para Ancelotti tentar voltar à lua de mel com a imprensa brasileira é a mesma dos seus antecessores na Seleção, desde 2011: Neymar.
O jogador de 34 anos já está pronto para voltar a treinar com os companheiros, depois de 12 dias sem sequer calçar chuteiras, aqui nos Estados Unidos, por conta de um estiramento na panturrilha direita.
E tem chance de voltar justo contra o adversário mais fraco do grupo.
Mas só a presença dele no campo, com chuteiras, batendo na bola, tem força suficiente para tirar Ancelotti das manchetes negativas.
Neymar estaria pronto para ser o antídoto, diante das críticas à Seleção de Ancelotti- Foto:Nelson Terme/CBF
Ele, que já era visto com a grande esperança desta Seleção, por muitos que esperam o ressurgimento de suas arrancadas e dribles, depois de pelo menos três anos, ganhou muito mais importância, após o frustrante empate de ontem.
A fórmula está gasta de tanto usada na Seleção.
Em toda crise, desde a Copa de 2010, quando Dunga não o convocou, mal o treinador da Seleção sofre pressão, apela para o talento e, principalmente, ao poder midiático de Neymar.
Não será surpresa inclusive se ele der sua primeira entrevista desde que foi convocado.
Seria estratégia previsível para amenizar o clima para Ancelotti. Ele acabou criticado mundialmente pela estreia do Brasil na Copa do Mundo.
A aura do pentacampeão da Champions foi rapidamente esquecida.
Pelo ‘país do futebol’, traumatizado por 24 anos de fracassos.
Ancelotti foi ‘batizado’ como treinador da Seleção.
E precisa ter muita paciência.
Se quiser cumprir o contrato que vai até a Copa de 2030…
Fonte: R7.com.br








