
PORTO VELHO – Enquanto tem uma meninada de 18 a 30, 40 anos reclamando da vida, se isolando sem esperanças no amanhã, deparamos com verdadeiros cidadãos e cidadãs que continuam sonhando e trabalhando para construir dias melhores. São senhores e senhoras que já chegaram à casa dos 70, 80 e outros até 90 anos e estão cheios de expectativas. Maria Antônia Costa é uma dessas brasileiras. Nascida em Sena Madureira região do Vale do Purus no então território do Acre em março de 1938, não se deixa vencer pelos anos de vida. Está sempre em busca de algo novo para tonificar a mente e despertar seu corpo.

Professora, dona de casa, artista plástica e escritora, recentemente acrescentou ao seu currículo uma nova atividade: a de youtuber. Hoje são mais de vinte episódios gravados contando histórias de sua família. Personagens como Dinorá, Eunice, Chico, Maria e outros estão mais vivos do que nunca na memória de Maria Antônia.
Em uma entrevista para alunos do 3º período de Psicologia da São Lucas, ela falou um pouco sobre a velhice e seus vieses. Contou por exemplo, que nunca se preocupou ou teve medo de envelhecer. “A velhice é uma coisa natural da vida”, definiu para os jovens estudantes Elisa Maia e Eduardo Pereira de 23 e 19 anos.

“Aos 60 eu estava cheia de vida, só mais tarde, chegando a casa dos 70 descobri que já tinha que lidar com algumas limitações e precisava de alguma ajuda, mas ainda assim escrevi e publiquei dois livros e pintei telas”.
Hoje, aos 88, diz que se precisar, pega dois ou três livros e sai para vender, sem nenhum problema. De vez em quando promove um evento em casa, que chama de Café com Arte. Convida amigos e entre goladas de café e pão de queijo, oferece o seu trabalho. Aliás, ela está programando um evento deste para o mês de julho. “Cuido da saúde, do sono e da alimentação. E assim vou vencendo”.

Maria Antônia tornou-se professora leiga aos 16 anos, quando concluiu o curso ginasial com ênfase em magistério na cidade de Sena Madureira. Conta que naquele tempo a escassez de professores no Acre era grande, então algumas escolas inseriam na grade escolar algumas disciplinas voltadas para a pedagogia, preparando as estudantes, em sua maioria, para serem professoras. Algum tempo depois, já no Rio de Janeiro estudou no Liceu de Artes e Ofício, concluindo o curso Normal.
A pintura surgiu em meio a problemas de ordem familiar. Observando pintores famosos e artes indígenas descobriu que poderia usar o conhecimento da geometria, tintas e pinceis e fazer da vida algo mais colorido. Começou a estudar e encontrou nas artes plásticas um hobby e um complemento da renda familiar.


Hoje ela tem vários trabalhos a disposição para vendas. Telas pequenas e médias com preços promocionais a partir de 100 reais. E também os livros A Casa do Filho do Soldado da Borracha (romance 50,00 reais) e O Sapo Cantador (infantil 30,00 reais).
O carro chefe de suas produções atualmente são os relatos de família – @RelatosDeFamiliaa. Em geral grava dois ou três episódios ao mês.
Ainda não conta com a monetização do you tube, mas acredita que o retorno financeiro virá e será bem-vindo, pois a terceira idade também exige gastos extras que antes não estavam na agenda do dia a dia. As histórias dos relatos de família têm arrancado risadas do público e às vezes até lágrimas. São lembranças trazidas da infância e outros recontados pela mãe. Passam por maus tratos, recomeços, chegadas e partidas, sempre com uma visão de quem passou por muitos percalços, mas aprendeu a superar.
Confira o conteúdo de Maria Antônia no YouTube abaixo:
*É jornalista, aproveitando e reverberando o melhor da melhor idade









