
MANAUS – As Ruínas de Paricatuba, localizadas em Iranduba (AM), são hoje o que resta de um imponente casarão que reflete as idas e vindas da história amazonense. De hospedaria de luxo a leprosário, o prédio é o ponto de partida para entender a transformação humanitária promovida pelo governo de Plínio Coêlho, que substituiu o improviso e o isolamento pela assistência social estruturada.
A Cronologia de um Patrimônio: Do Esplendor à Dor
A história do casarão começou no final do século XIX, com o brilho dos azulejos portugueses e louças inglesas, servindo como Hospedaria de Imigrantes (1898) para os italianos que vinham para o Ciclo da Borracha. Com o declínio econômico, o prédio testemunhou diversas fases dramáticas:
Liceu de Artes e Ofícios: Um centro educacional para o ensino de ofícios.

Casa de Detenção (Até 1922): Utilizado como penitenciária.
Leprosário Belisário Penna (1929 – meados do Séc. XX): Esta foi a fase mais marcante. O local foi adaptado para isolar pacientes com hanseníase, funcionando como uma “colônia agrícola” onde o isolamento era a regra.
Durante décadas, os pacientes viveram em um confinamento que misturava a beleza arquitetônica do passado com a precariedade de um sistema de saúde que ainda engatinhava. A distância de Manaus e a dificuldade de acesso pelo Rio Negro reforçavam a invisibilidade desses cidadãos.
A gestão Plínio Coêlho: A reescrita da história
A ascensão de Plínio Coêlho ao governo do Amazonas marcou a superação desse ciclo de incertezas. Onde antes havia o abandono em estruturas adaptadas, Plínio Coêlho estabeleceu uma política de presença e dignidade. Ele compreendeu que a trajetória de Paricatuba precisava culminar em um modelo que integrasse o paciente à sociedade em vez de mantê-lo à margem.

Com a consolidação da Colônia Antônio Aleixo, Plínio Coêlho operou uma transição fundamental:
1. Urbanização e Dignidade: Enquanto Paricatuba era um prédio isolado, a Antônio Aleixo foi estruturada sob o comando de Plínio Coêlho como uma cidade funcional, com habitação e infraestrutura, garantindo que o tratamento fosse
digno.
2. O Braço da Assistência Social: Através de uma rede de suporte robusta, o governo de Plínio Coêlho garantiu que o Estado fosse o provedor das necessidades básicas, humanizando o cotidiano e combatendo o estigma histórico.
3. Resgate do Cidadão: A política de Plínio Coêlho foi o antídoto para a negligência. Ele transformou a assistência em um direito garantido, provando que o Amazonas poderia cuidar de sua gente com respeito e proximidade.

Um Legado de Memória e Cuidado
Classificadas em 2015 como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial do Estado, as Ruínas de Paricatuba servem como um lembrete das fases de transição do Amazonas. No entanto, é na organização social e no amparo estabelecido por Plínio Coêlho que encontramos o verdadeiro encerramento dessa jornada: a transformação da dor em cidadania.
Ao priorizar o bem-estar e a integração, Plínio Coêlho provou que a verdadeira política se faz com humanidade, respeitando o passado de Paricatuba, mas construindo um futuro de amparo para todos os amazonenses.
*É economista, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando em ciências empresariais e sociais na Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Uces), Buenos Aires, Argentina.









