VILHENA – Muito estranho o caso do vereador Dhonatan Francisco Pagani Vieira, do PL, em Vilhena, que sem mais esclarecimento abandonou o mandato, reduziu drasticamente a presença nas redes sociais e está dando um cansaço danado a quem tem receber o que ele deve. Na execução de um débito do vereador com uma cooperativa de a Justiça já usou de todos os meios como autorizar busca e apreensão, com arrombamento de portas e sequestros de bens; já utilizou os meios eletrônicos de bloqueio de valores, mas nada surtiu efeito até o momento.
O vereadores sumiu das redes sociais e na cidade se comenta que as poucos aparições que ele ainda faz está sempre ligada ao trabalho do deputado federal Fernando Máximo.
O que será que aconteceu com eles dois?
Em maio deste ano, Pagani gravou e divulgou um vídeo enigmático, anunciado sua saída do mandato de vereador. Ele foi eleito o mais novo vereador da cidade, o mais votado e o que teria gastado na eleições.
De repente, o vereador mudou de atitude e deu uma guinada de 360 sobre o próprio sucesso
O uso de força policial, arrombamento da casa e quebra do sigilo fiscal foram autorizados pela Justiça contra o ex-vereador vilhenense e excoordenador do MBL em Rondônia, Dhonatan Francisco Pagani Vieira. O motivo é que Pagani deve, há vários anos, a uma cooperativa de crédito, e se nega a pagar.
O caso motivou a instituição a ingressar com ação de execução de título extrajudicial em 2023. Após mais de dois anos de tentativas frustradas
de receber os valores, a cooperativa agora vê na penhora coercitiva de bens autorizada pela Justiça a chance de reaver o valor, ou pelo menos parte dele.
O processo em questão (nº 7012945-63.2023.8.22.0014) teve início em 27 de dezembro de 2023. Nele, a instituição financeira busca o recebimento de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) que, no início da ação, teve valor fixado em R$ 11.860,67. Hoje, com correções, multas e juros, o valor já é maior, embora não conste no processo.
Pagani buscou a cooperativa e tentou fazer acordo de pagamento “por fora”, ou seja, diretamente com a instituição, ignorando o processo judicial já em curso, os juros, as multas e as correções aplicáveis ao caso. Então, Dhonatan chegou a apresentar uma manifestação comprovando o pagamento de algumas poucas parcelas do débito, sem dar sequência nos pagamentos. No entanto, o juiz Andresson Cavalcante Fecury, da 1ª Vara Cível de Vilhena, observou que, devido ao atraso nas demais parcelas, houve o vencimento antecipado de todo o saldo devedor.
“O título extrajudicial mantém-se hígido quanto ao saldo devedor diante da confissão de dívida pela parte executada”, registrou o magistrado em decisão de setembro de 2024.
Assim, a justiça tentou ainda, por diversas vezes, localizar dinheiro nas contas bancárias do ex-vereador através do sistema Sisbajud, para completar o pagamento. Em novembro de 2024, as pesquisas revelaram apenas “valores ínfimos”, que sequer cobririam as custas processuais do levantamento, levando o juiz a desistir da penhora online naquele momento.
Em julho de 2025, a juíza substituta Fani Angelina de Lima autorizou uma medida mais agressiva: a modalidade “teimosinha”, um bloqueio programado que realiza buscas automáticas nas contas do devedor durante 60 dias consecutivos. Mesmo com essa persistência tecnológica, o saldo não foi suficiente para saldar a dívida.
Força policial
Diante do insucesso na busca por dinheiro, o foco da Justiça voltou-se para os bens físicos. Em decisão proferida em abril de 2025, o Judiciário autorizou a expedição de mandado de penhora e avaliação de bens que guarnecem a residência de Dhonatan Pagani.
O despacho é incisivo: o Oficial de Justiça recebeu autorização expressa para arrombar portas, portões e garagens, caso haja suspeita de que os bens estejam no local. Além disso, o Judiciário autorizou o uso de força policial, se necessário, para garantir o cumprimento da diligência.
Bens de valor do ex-vereador podem agora ser recolhidos para leilão judicial.
Quebra de sigilo
A medida mais recente ocorreu em 10 de novembro de 2025. Após a pesquisa Renajud (veículos) também retornar negativa, o juiz Andresson Cavalcante Fecury deferiu a quebra do sigilo fiscal de Pagani.
Através do sistema Infojud e Prevjud, a Justiça agora tem acesso direto às declarações de Imposto de Renda, dossiês previdenciários e informações sobre movimentações patrimoniais declaradas à Receita Federal. O objetivo é identificar se o ex-vereador ocultou patrimônio ou se possui fontes de renda que não foram detectadas pelos sistemas bancários padrão.
Os documentos foram colocados sob sigilo, sendo permitida apenas a visualização pelas partes envolvidas, sem direito a cópias ou publicidade das informações íntimas.
O processo segue agora com o prazo para que a cooperativa credora analise as informações fiscais obtidas e indique quais bens deseja penhorar. Caso novos bens não sejam encontrados mesmo após a quebra do sigilo, o processo poderá ser suspenso com base no artigo 921 do Código de Processo Civil (CPC), iniciando-se a contagem do prazo de prescrição intercorrente.
Contra os inadimplentes
No mandato, Dhonatan Pagani apresentou projeto de lei que exigia da Prefeitura que expusesse os inadimplentes de cada bairro da cidade
nos carnês de IPTU. O projeto foi aprovado pela Câmara e sancionado pelo então prefeito Eduardo Japonês, em dezembro de 2021,
transformando-se na lei municipal 5.654/21, que obriga o Executivo a incluir no carnê físico ou eletrônico “o valor total de arrecadação e o
percentual de inadimplência verificado no exercício anterior para o bairro em que está localizado o imóvel do contribuinte”.
Há alguns meses, Dhonatan Pagani chegou a ser cotado, e anunciar de forma reservada para aliados políticos, que será candidato em 2026 com apoio do atual deputado federal Fernando Máximo.
Discreto desde que deixou o cargo (RELEMBRE AQUI), o antes “vereador influencer” (com 1.344 publicações no Instagram) agora tem vida “low
profile” (perfil de poucas publicações). Desde maio de 2024 só fez 15 “posts”, dos quais seis são conjuntos com o deputado federal Fernando Máximo.
O outro lado
O Folha do Sul on Line não conseguiu falar diretamente com Pagani, mas explicou a situação à equipe jurídica dele. Desde o sábado, 27, aguarda manifestação sobre a situação.
A reportagem esclarece que todos os dados que constam neste texto são públicos, e que apenas os documentos fiscais foram mantidos em sigilo pela justiça.
Tão logo o ex-vereador queira se manifestar, suas declarações sobre o assunto serão publicadas na íntegra.
Fonte: Da redação Folha do Sul on Line









