Porto Velho precisa voltar-se para sua orla, recomenda urbanista secretário das Cidades de São Paulo (vídeo)

O especialista comparou o potencial da orla ribeirinha a projetos de revitalização internacionalmente reconhecidos. “O Madeira tem muito mais força econômica do que se imagina. Poderia ser mais relevante do que Puerto Madero, em Buenos Aires”,

PORTO VELHO – O arquiteto e urbanista subsecretário de Desenvolvimento Urbano de São Paulo, José Police Neto, afirma que Porto Velho vive “de costas viradas para o Rio Madeira” e defende uma transformação urbanística que reconecte a capital rondoniense ao seu principal patrimônio natural. A avaliação foi feita durante participação em podcast no Informa na Hora com os jornalistas Carlos Araújo e Fábio Camilo, enquanto o especialista cumpria agenda na capital rondoniense em um evento sobre urbanismo e sustentabilidade promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) de Rondônia.

Segundo Police Neto, o potencial paisagístico e econômico da orla do Madeira é subaproveitado. “A gente não reconhece o rio como uma orla da cidade. Ele mais parece o quintal, quando deveria ser a fachada”, afirmou. O arquiteto defendeu um redesenho urbano que “coloque Porto Velho de frente para o rio de maneira enérgica”.

O especialista comparou o potencial da orla ribeirinha a projetos de revitalização internacionalmente reconhecidos. “O Madeira tem muito mais força econômica do que se imagina. Poderia ser mais relevante do que Puerto Madero, em Buenos Aires”, disse.

Cidade cresceu de costas para o rio

Com vasta experiência em requalificação urbana, incluindo a região central de São Paulo e a Cracolândia, Police Neto apontou que o distanciamento entre Porto Velho e o rio é fruto de um modelo histórico de expansão urbana que ignorou a origem fluvial e ferroviária da cidade. Esse movimento, segundo ele, resultou na subutilização de áreas de grande valor histórico e turístico.

Acompanhe o podcast Informa na Hora:

O debate ocorre em momento oportuno. A Prefeitura de Porto Velho anunciou recentemente um plano de revitalização do centro histórico, com investimento estimado em R$ 30 milhões, prevendo restauração de prédios e melhorias de infraestrutura. O Plano Diretor do município também prevê a valorização da orla fluvial e a proteção dos igarapés como eixos de qualificação urbana e ambiental.

Desconfiança e Desafios

Apesar dos anúncios, parte da população mantém postura cética diante dos novos projetos. Moradores recordam iniciativas anteriores de revitalização que não foram concluídas ou tiveram execução parcial. A fala de Police Neto, nesse contexto, soa como um apelo à ação concreta e planejada. “É preciso que os projetos sejam concebidos sob uma nova ótica, entendendo que o futuro da cidade está ligado à sua capacidade de abraçar o rio”, afirmou.

O arquiteto também destacou o potencial do complexo ferroviário da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que, integrado à orla revitalizada, poderia reforçar a identidade cultural e impulsionar a economia local. “Esses dois elementos juntos podem dar a Porto Velho uma marca urbana forte e sustentável”, concluiu.

Fonte: www.expressaorondonia.com.br



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