Jaru 44 anos, onde a coragem criou história e o sonho virou cidade – Por: Wagner dos Santos Silva

Sob o sol forte e enfrentando a malária, esses pioneiros abriram caminho na mata e no destino. Foi daí que nasceu o famoso ditado: “Você é doido ou veio de Jaru?”

 JARU – Hoje, 7 de novembro, Jaru celebra 44 anos de emancipação político-administrativa. Mas a história dessa terra vai muito além de uma data, é uma jornada de coragem, fé e trabalho que começou bem antes de se tornar cidade. Antes de ser Jaru, foi floresta, caminho e promessa. Habitada por povos originários, entre eles os Jarus, que deram nome ao rio e ao município, e também pelo povo Uru-Eu-Wau-Wau, que até hoje mantém viva sua presença e cultura.

Por volta de 1912, a Comissão Rondon instalou um posto telegráfico às margens do Rio Jaru, ligando a região à rede nacional, o primeiro passo rumo ao futuro.

Durante décadas, o extrativismo sustentou a economia local, com destaque para o ciclo da borracha e os seringais lendários, como o famoso “Setenta”, da família Catanhede.

Foi nos anos 1970 que tudo começou a mudar. Com a abertura da BR-364 e o PIC “Padre Adolpho Rohl”, implantado pelo INCRA, a floresta deu lugar à esperança. Milhares de famílias vindas do Sul e Sudeste chegaram com o sonho de recomeçar, e o símbolo dessa época foi a motosserra.

Sob o sol forte e enfrentando a malária, esses pioneiros abriram caminho na mata e no destino. Foi daí que nasceu o famoso ditado: “Você é doido ou veio de Jaru?”

Mas essa “loucura” era, na verdade, coragem em estado puro. Tão simbólica que até o mapa de Jaru parece ter o formato de uma motosserra, como se a geografia reconhecesse a força que construiu a cidade.

Nos anos 1980, veio a virada definitiva.
Em 1981, Jaru foi oficialmente instalado como município. E com o crescimento, vieram os desafios: o garimpo em regiões como Serra Sem Calça e Arapapá, o aumento populacional e a necessidade urgente de estrutura e organização.

Em 1982, nasceu a Comarca de Jaru, e o jovem juiz Roosevelt Queiroz — hoje desembargador — levou a Justiça Itinerante até onde o povo estava, atravessando picadões e comunidades distantes.

Foi também nessa época que o município elegeu seu primeiro prefeito pelo voto popular: Leomar José Baratella.
Coube a ele estruturar os primeiros serviços, abrir ruas e organizar a cidade que estava nascendo. Baratella marcou o início da maturidade política jaruense e do espírito participativo que segue até hoje.

O brilho do garimpo deu lugar à força do campo. A agricultura e a pecuária transformaram a economia, e a bacia leiteira colocou Jaru no mapa do desenvolvimento.

Dessa vocação nasceram grandes nomes, como o Frigon, a Italac e o Irmãos Gonçalves, que projetaram Jaru para além das fronteiras do estado.

Mas o maior tesouro de Jaru é o seu povo. Gente trabalhadora, solidária e perseverante.

Distritos como Tarilândia mostram que o mesmo espírito dos pioneiros continua vivo, produzindo café, leite e oportunidades.

Hoje, 44 anos depois, Jaru é orgulho de Rondônia. De um pequeno posto telegráfico no meio da mata nasceu uma cidade empreendedora, acolhedora e cheia de futuro.

A poeira da motosserra virou asfalto, o barracão de madeira virou indústria e a coragem virou progresso.

Neste aniversário de 44 anos, Jaru celebra mais do que uma data, celebra uma história de superação, identidade e esperança.

Parabéns, Jaru! 44 anos de fé, trabalho e orgulho de ser essa terra de gente forte e de coração enorme.

Texto: Wagner dos Santos Silva – pós-graduado em história e cultura do Brasil e mestrando em história da Amazônia

Fonte: anotíciamais.com.br


+ DESTAQUES




+ Notícias




+ NOTÍCIAS

+ NOTÍCIAS

Fale conosco pelo WhatsApp!
Pular para a barra de ferramentas