Clima tenso após ocupação da LCP em área no distrito de Abunã

PORTO VELHO (RO) — O clima de tensão continua na Fazenda Nova Brasil, localizada no distrito de Abunã, a cerca de 200 quilômetros de Porto Velho, após a ocupação registrada ontem. De acordo com informações apuradas nesta terça-feira (4), o grupo permanece instalado no local e impede o acesso de funcionários e produtores rurais à sede da propriedade.

Fontes ligadas à segurança pública informaram que o grupo seria ligado à Liga dos Camponeses Pobres (LCP), organização que atua em diversas regiões da Amazônia. Relatos indicam que houve disparos de arma de fogo durante a tentativa de entrada de trabalhadores na área, mas não há registro de feridos.

Imagens feitas por moradores da região mostram tratores de grande porte operando dentro da área ocupada, realizando a abertura de estradas, limpeza de terrenos e construção de pontilhões. Os registros reforçam a percepção de que o acampamento foi estruturado para permanência prolongada, o que tem gerado apreensão entre produtores e autoridades locais.

A Fazenda Nova Brasil, também conhecida em documentos como Fazenda Norbrasil, é considerada uma das áreas mais conflituosas de Rondônia. Há anos, a propriedade figura em processos e disputas judiciais relacionadas à posse da terra, além de episódios de violência e denúncias de ataques a trabalhadores e lideranças rurais.

Contexto e histórico de conflitos
O estado de Rondônia é um dos que mais registram conflitos agrários na Amazônia Legal, segundo dados de entidades que monitoram a questão fundiária. A região de Abunã, no extremo oeste do estado, integra o chamado arco de tensão da Amazônia Ocidental, área onde são recorrentes as disputas entre produtores, posseiros e movimentos rurais organizados.

Especialistas ouvidos por órgãos de imprensa e instituições de pesquisa apontam que a falta de segurança jurídica sobre a propriedade da terra, somada à lentidão nos processos de reforma agrária, contribui para o agravamento do cenário. A combinação de ocupações, decisões judiciais e ações de reintegração tem mantido o impasse e dificultado uma solução definitiva para o conflito.

Repercussão e medidas
Autoridades estaduais informaram que o caso está sendo acompanhado pelas forças de segurança pública e que ações de monitoramento foram intensificadas na região. Até o momento, não houve operação de desocupação.



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