Estudo aponta relação entre infecção gengival e Alzheimer

Pesquisadores identificaram a presença da bactéria Porphyromonas gingivalis nos cérebros de pacientes falecidos com Alzheimer

O Alzheimer pode não ser apenas uma doença, mas sim uma infecção. É isso o que têm defendido muitos cientistas nos últimos anos. E um dos estudos que corrobora com esta visão aponta que um possível culpado pode ser a nossa boca.

Imagem: luchschenF/Shutterstock

No trabalho, pesquisadores identificaram a presença da bactéria Porphyromonas gingivalis nos cérebros de pacientes falecidos com Alzheimer. Ela é responsável pela periodontite crônica, uma doença nas gengivas popularmente chamada de piorreia.

Bactéria pode ter ligação com o Alzheimer

Esta não foi a primeira vez que esta possibilidade é sugerida. Em experiências com ratos, os pesquisadores identificaram que a infecção levou à colonização do cérebro pela bactéria, acompanhada por um aumento na produção de beta-amiloide (Aβ), uma proteína associada ao Alzheimer.

A equipe destaca que isso não é uma prova definitiva de que a doença é causada pela bactéria. No entanto, apontam para novas possibilidades. As descobertas foram descritas em estudo publicado na revista Science Advances.

Imagem mostra várias bactérias dentro do corpo humano | Bactéria causadora de doença na gengiva foi encontrada nos cérebros de pacientes falecidos com Alzheimer (Imagem: wildpixel/iStock)
Mais estudos são necessários para confirmar hipótese

Os cientistas ainda observaram enzimas tóxicas chamadas gingipaínas, secretadas pela bactéria, nos cérebros de pacientes com Alzheimer. Elas estão associadas a dois marcadores da doença: a proteína tau e a ubiquitina.

As enzimas também foram encontradas, mas em menor grau, em pessoas sem o diagnóstico da doença. Isso indica que a infecção cerebral por P. gingivalis não é resultado de má higiene oral após o início da demência, por exemplo.

Além disso, um composto desenvolvido pela empresa, chamado COR388, demonstrou em experiências com ratos a capacidade de reduzir a carga bacteriana de uma infecção cerebral estabelecida por P. gingivalis, ao mesmo tempo que diminuiu a produção de beta-amiloide e a neuroinflamação. De qualquer forma, são necessários novos estudos para confirmar esta possível causa da doença.



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