Onde você estava? O que fazia há 40 anos, quando Rondônia deixa de ser território e é instalado o Estado?

PORTO VELHO (03-01) – Há 40 anos, quando da instalação do Estado, onde você estava, o que fazia e como você projeta Rondônia a partir de agora? Em busca desta resposta, o expressaorondonia.com.br pediu a várias pessoas, de profissões diversas –  algumas delas sequer nascidas àquela altura, o que não invalida a participação em razão de que todos contribuem de alguma forma para a Terra de Rondon – que falasse um pouco sobre este período.

Em quatro décadas, a capital, Porto Velho, deixou de ser uma cidade horizontal para experimentar o crescimento verticalizado, ganhou porto oficial e ponte atravessando o rio Madeira

Lúcio Albuquerque, repórter: “eu tinha 36 anos e morava no Território desde 1975. Trabalhava em dois veículos, era correspondente do ‘Estadão’ paulista e repórter do Alto Madeira (jornal extinto depois de um século e meses em 2017). Aqueles dias foram de correria constante, porque havia pelo menos dois ministros, Ibrahim Abi-Ackel, da Justiça representando o presidente João Figueiredo, e Mário Andreazza, do Interior, e outros convidados importantes”.

“Acompanhei desde que aqui cheguei o trabalho quer culminou naquele 4 de janeiro. Ouvi muitas pessoas, havia quem era contra a criação do Estado, especialmente comerciantes alegando que teriam de pagar impostos. Não basta sermos grandes produtores no agronegócio ou sermos o Estado maior produtor de peixes em cativeiro, se continuamos vendendo a matéria prima em estado bruto, e lá ela é industrializada, agregada de benefícios e volta para ser vendida aqui. Lembro do dr. Jacob Atallah, que dizia sermos uma colônia, como o Brasil foi até à Independência. A diferença é que aqui, por falta de uma política de agregação de valores, continuamos uma colônia”.

Nilce: Rondônia está superando dificuldades e aproveitando as oportunidades que visam o bom desenvolvimento

Nilce Casara, ex-deputada estadual: “Eu sou “minhoca”. Em 1982 era funcionária do Território Federal e atuava no Mobral, na coordenação de vários projetos de alfabetização desenvolvidos em nosso Território. Acompanhei bem de perto o sacrifício que foi daqueles que chegavam ao Território em busca de sua Canaã”.

Nilce destaca que, “como minha família mais que centenária trabalhando em Rondônia, acredito que vamos a cada novo dia superando dificuldades e aproveitando as oportunidades que visam o bom desenvolvimento deste magnífico Estado, admirando-o com muito orgulho e gratidão, sem esquecer os pioneiros e do legado que nos concederam”.

Montezuma, jornalista há mais de 40 anos no Estado, é outro que vê boas saídas com a industrialização do setor primário

Montezuma Cruz, jornalista: “Nesse dia eu trabalhava. Passei pela Praça Getúlio Vargas e vi a festa da instalação. O governador Teixeirão recebia ministros e demais autoridades, e discursava eufórico. Eu era repórter do jornal Estadão de Rondônia e correspondente da Folha de S. Paulo. Morei noutras cidades brasileiras entre 1986 e 2014, mas sempre com os olhos voltados para cá”.

 

Montezuma lembra que chegou a Porto Velho em 1976, e mesmo quando morou fora de Rondônia (1986/2014), “mantive sempre muita atenção para com nosso Estado, através das notícias da imprensa e dos amigos que ficaram aqui. Observando Rondônia hoje, contento-me em ser um a mais a esperar sua consolidação como estado empregador, produtor de alimentos, com iminente futuro industrial e, quem sabe, com mais justiça social”.

Estênio Júnior, administrador de empresas, líder do grupo que produz o suco “Quero Mais tinha sete anos em 1982, morava em Fortaleza (CE). “Meus pais nos trouxeram para Porto Velho em 1985, mas desde então sempre morando aqui, onde constituí família e tenho a empresa. Atualmente presido a Associação do Polo Empresarial de Porto Velho, a Apep, que tem uma pauta em defesa da estruturação de mecanismos que incentivem a industrialização de toda nossa produção primária”.

Para Estênio Júnior, presidente da Apep, a falta de atenção política para importantes pautas do Estado gera prejuízos e ameaças a Rondônia

“Em Rondônia é comum ver chegar empresários que querem investir, mas a falta de incentivos acaba fazendo que migrem para outros Estados. Temos grandes paradoxos que precisam ser combatidos, por que da maneira como permanecem causam grandes prejuízos ao Estado.

“Pense em quanto poderemos ganhar em empregos, em incentivo à produção, em geração de emprego e renda e o crescimento social que dai decorre? Mas para isso o Estado tem de gerar meios, a classe política deve voltar sua atenção para o setor e a própria Universidade atentar para a necessidade de formação de profissionais”.

O presidente da Apep lembrou ainda o caso da soja. “Temos uma das maiores produções do país, mas é só. O beneficiamento é feito fora e há mais um problema que já preocupa: a falta de ação política, e não apenas discursos, em defesa da rodovia BR-319, que mostra, sem dúvida, a inexistência de atenção efetiva com um interesse muito forte para nossa região”

Professor Dílson: É preciso implementar projetos que busquem o futuro para melhor nos sairmos no contexto econômico do país

Professor de História de várias escolas, com mais participação na “Carmela Dutra”, o mestre Dílson Maia lembra que em 1982 recebeu determinação do governador Jorge Teixeira para coletar informações sobre as comunidades que se formavam ao longo/no entorno da BR-364, gente que chegava buscando seu “eldorado”.

Professor Dilson explica que essa coleta de informações “era a base com a qual se poderia estruturar e montar Projetos de Adequação a esse surto migratório em direção à Amazônia Ocidental, e que muito contribuíram para que Rondônia se desenvolvesse”.

Quatro décadas depois ele analisa: “baseado nas experiências e no desenvolvimento oriundo desta fixação de grandes famílias oriundas deste Cíclo Migratório, Rondônia, desde então Estado, deve, política e administrativamente, repensar e buscar novos modelos de avanços nos campos social, educacional e tecnológico, concebendo projetos com vista ao futuro, pois temos tudo para nos tornarmos parte da grande roda da engrenagem da sustentabilidade mundial”.

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