Com pesquisadores reconhecidos e premiados pelo Confap, Rondônia tem potencial para ser um polo farmacêutico

PORTO VELHO  O pesquisador doutor Leonardo Calderon, do Centro de Estudos de Biomoléculas Aplicadas à Saúde (CEBio) da Fundação Oswaldo Cruz Rondônia (Fiocruz-RO), receberá quinta-feira, 9, em Foz do Iguaçu (PR), prêmio do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), pelo êxito de seu trabalho em biologia experimental. Calderon é um dos primeiros lugares em todo o País. 

Os vencedoras do prêmio serão reconhecidos durante o Fórum Nacional Confap, com transmissão ao vivo pela plataforma YouTube

“A importância em investir em ciência e pesquisa é vital para a promoção e o desenvolvimento do estado e do País, bem como à melhoria na qualidade de vida das pessoas”, disse ontem, 7, o presidente da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa em Rondônia (Fapero), Paulo Haddad.

Do alto da Fapero, Calderon (e) e Haddad contemplam o verde e o símbolo da cidade: as três caixas-d’água

Calderon se destacou pelo trabalho voltado para o aproveitamento de venenos de animais, considerados fontes muito ricas de moléculas bioativas. De alguns répteis, por exemplo.

A Amazônia Brasileira é muito rica em espécies de serpentes peçonhentas.

“Essas moléculas podem ser modificadas ou utilizadas em menor concentração para fins terapêuticos”, ele ensina aos seus orientandos.

“A indicação do professor Calderon à premiação nacional reflete o mérito dos seus trabalhos científicos com possíveis aplicações biotecnológicas, buscando na natureza, na biodiversidade amazônica, moléculas que inspirem protótipos que possam ser transformados em medicamentos aplicados à saúde humana e animal”, disse o diretor científico da Fapero, professor doutor Andreimar Martins Soares.

Confap congrega 26 fundações

A premiação faz parte das comemorações dos 15 anos do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), que congrega 26 fundações estaduais de amparo à pesquisa. “Sinto-me feliz em representar Rondônia. É o resultado do compromisso que nós, pesquisadores, temos com a ciência”, disse Calderon elogiando servidores da Fiocruz e da Fapero.

O professor Calderon é doutor em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UnB), desde 2004, e pesquisador em saúde pública da Fiocruz (Fiocruz-RO) e chefe do Centro de Estudos de Biomoléculas Aplicadas à Saúde. Dá aulas em cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) na Unir. Sua orientanda no programa de Doutorado em Biologia Experimental, defensora de uma das teses do acervo de pesquisas dele é bolsista da Fapero.

Os agraciados de todo o País receberão em Foz do Iguaçu: certificados, troféus e premiação financeira. Aos primeiros colocados, R$ 10 mil; aos segundos, R$ 6 mil; os terceiros receberão R$ 3 mil.

Reconhecimento internacional

Tempo bom esse segundo semestre do ano na Fapero.
O pesquisador e diretor científico da Fapero, professor Andreimar Soares, foi incluído neste semestre na lista dos melhores especialistas do mundo, pela Stanford University.

Professor Andreimar Soares, diretor científico da Fapero

“A publicação da Stanford é a revista Elsevier BV, que contém a lista com os nomes dos pesquisadores mundiais, inclusive brasileiros, e entre eles, o diretor científico”, disse o presidente da Fapero, Paulo Haddad.

Elsevier BV é uma empresa editorial holandesa especializada em conteúdo científico, técnico e médico, e uma das seis empresas que domina a publicação científica no mundo inteiro.

Desde 2007 o pesquisador é livre docente pela Universidade de São Paulo (USP), atuando nas áreas de Bioquímica, Biotecnologia e Toxicologia. Nesta última, destacou-se pelo isolamento e caracterização funcional/estrutural de toxinas animais e inibidores naturais/sintéticos.

Andreimar Soares também identificou e caracterizou estruturalmente produtos naturais de origem animal e vegetal com atividade antimicrobiana e contra doenças tropicais negligenciadas a partir da biodiversidade amazônica e brasileira.

Acadêmicos no CBio da Unir pesquisam futuros medicamentos contra Chagas, leishmaniose e malária

Com apoio da Fapero/Capes, o estado formará 95 mestres, dez doutores e 12 pós-doutores. Todos serão estimulados a trabalhar aqui

A Capes  é uma fundação vinculada ao Ministério da Educação que atua na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu em todos os estados brasileiros. A cooperação tem três anos de execução e auxilia 14 programas de pós-graduação dos 19 vinculados à Fundação Universidade Federal de Rondônia.

Estima-se em R$ 4,8 milhões os recursos do governo federal e a contrapartida de R$ 1,44 milhão do Estado de Rondônia, totalizando R$ 6 milhões diretamente destinados à qualificação de recursos humanos em áreas estratégicas.

Um sonho que pode ser realizado

Anualmente, a Fapero faz chamadas para apresentação de candidatos ao apoio do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (SUS). O PPSUS é uma iniciativa de descentralização de fomento à pesquisa em saúde nas unidades federativas que promovem o desenvolvimento científico e tecnológico, visando atender as peculiaridades e especificidades de cada Unidade Federativa e contribuir para a redução das desigualdades regionais.

A Fapero apoia a proposta da Unir e da Fiocruz-RO no sentido de criar em Rondônia um modelo experimental molecular que contempla diversas plantas e árvores – andiroba, copaíba, sangue de dragão e sucupira – bem como toxinas de serpentes, entre elas, a jararaca.

“São propostas que escrevemos juntos e conseguimos aprovar”, frisa o diretor cientifico, Andreimar Soares.

Segundo ele, com pesquisadores reconhecidos e premiados pelo Confap, Rondônia tem potencial para ser um polo farmacêutico.

MONTEZUMA CRUZ
Fotos Esio Mendes e Jeferson Mota
Colaboraram: Vitória Bacon e William Ferreira



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