PORTO VELHO – O intenso calor das noites e madrugadas atualmente em Porto Velho, remete os habitantes mais antigos da cidade a rememorar meados e final dos anos 1970, a capital era abastecida com energia elétrica gerada a óleo diesel e quase todos as noites havia apagões, pelos mais variados motivos. Eram noites quentes e abafadas, sob ataques constantes de carapanãs e voos rasantes de baratas cascudas. Essa pelo menos foi uma das não muito agradáveis experiências vivenciadas pela mãe deste repórter, dona Luíza Caldieri Munhoz, que, em 1978 se aventurou em uma viagem de 2 mil e 800 quilômetros do interior de São Paulo a Porto Velho, para conhecer uma neta que acabara de nascer. Quem viveu aquele período sabe avaliar muito bem o significado das palavras crédito, crise e confiança.
Este repórter, aqui desembarcado em 1976, experimentou a fase dura, sentindo as interrupções no fornecimento de energia elétrica quando morava no quarto nº 6 do extinto Hotel Rodoviário e numa casa de madeira ao lado da ex-Feira e hoje Mercado do Km 1.

A falta de óleo diesel era a razão dos apagões. Tempo em que a reportagem dos jornais diários nos mobilizava a cada dia para saber, na Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron),
das providências que atenuariam o problema.
Ainda não havia sido concluída a usina hidrelétrica Samuel, no Rio Jamari, o projeto pioneiro da Centrais Elétricas do Norte Brasileiro (Eletronorte), que mais tarde teria capacidade geradora instalada de 216 negawatts, atendendo Porto Velho.
DIFICULDADE FINANCEIRA
Sem o caixa cheio do qual dispõe hoje, o governo do extinto Território Federal apelava para compras de óleo parceladas, a fim de mover sua única usina térmica, num canto do Bairro Pedacinho de Chão.
Em 26 de maio de 1978, na página de economia, o jornal Folha de S. Paulo publicava uma de minhas matérias dando conta da grave situação.
Por culpa da Petrobras, o corte no fornecimento de energia elétrica à Capital de Rondônia é uma ameaça constante – eu escrevia após ouvir o então diretor-presidente da Ceron, José Gomes de Melo.
O então governador Humberto da Silva Guedes já havia denunciado a crise a um representante do Ministério das Minas e Energia, durante reunião da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
INTRANSIGÊNCIA
“A Petrobras, dizia Guedes, só nos vende combustível à vista”. Em 1977, ele relatava que “Rondônia chegava à beira do colapso, quando tivemos de desembolsar até o que não tínhamos para que a companhia nos fornecesse óleo”.
E assim, a intransigência da estatal de petróleo fora prejudicial ao ex-território, quando, sabia-se, haver estoque de óleo no País, e o próprio governo federal impunha o adiantamento na construção da primeira usina.
Esse passado do qual ninguém mais tem saudades, porém, lembrança viva de como aconteceu, entrou para a história. Já naquele final dos anos 1970, estudos da Eletrobras estimavam em 100 mil de quilowatts o potencial hidrelétrico do Rio Madeira.









