Corona vírus leva Osvaldo Castro, um defensor dos seringueiros em Rondônia

PORTO VELHO – O servidor público Osvaldo Castro de Oliveira, 65 anos, faleceu quarta-feira (12). O corpo foi sepultado hoje no Cemitério de Seringueiras, sua terra natal, a 536 quilômetros de Porto Velho.

Castro ficou 12 dias internado, período em que fora intubado e não resistiu ao coronavírus. Ele chegou a ser vacinado com a primeira dose, contou Rosalina Santos Dias, estudiosa de populações tradicionais e amiga dele.

De 2020 para cá, ele ajudava a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) na administração da política de crédito de carbono para mais de 40 famílias de seringueiros contempladas pelo projeto pioneiro mantido em convênio com a organização Permiam Global.

Zeloso pelo bem-estar e êxito de populações tradicionais, Castro pautou-se pelo diálogo, bom senso, e sempre foi enérgico em defesa da classe seringueira.

Rosalina Dias mostrou nesta quinta-feira uma foto com a seguinte observação: “Olha quando éramos jovens, na década de 1990, quando no movimento social abraçamos a causa ambiental; tempo de muita luta para a criação das reservas extrativistas e pela melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem nessas áreas preservadas, este foi o seu grande legado”.

Em 2008, quando a Polícia Federal apurava a “legalização” de cerca de cem mil hectares dentro de áreas ambientais na região do Guaporé, inclusive as fronteiriças à Bolívia, Castro denunciava declarações de posse e títulos de domínio fraudulentos.

Na ocasião, o golpe maior fora perpetrado contra a Resex do Rio Ouro Preto, no interior do município de Guajará-Mirim, que teria perdido 31,4 mil ha (15% de sua área) para especuladores de terras. “Tudo ficou descaracterizado”, queixava-se Castro.

O que se viu na região foi a expansão do gado nelore em fazendas que ocuparam áreas antes tituladas para seringueiros que, segundo Castro, não tiveram resistência para explorá-las, e alguns venderam as terras para viverem depois na pobreza, denunciava Castro na ocasião, quando era presidente da Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR).

No final do ano passado, em conversa com o repórter, ele relatava a recuperação de antigos seringais, explicava a política internacional de preços do látex, e manifestava seu contentamento pelo interesse nessa retomada.

O látex da reserva do Rio Cautário, no município de Costa Marques, por exemplo, tem chance de ser transformado na chamada manta branca, produto importado por indústrias da França, do Irã e, no Brasil, adquirido em Rondônia por indústrias de calçados de Novo Hamburgo (RS).

Em nota, a Coordenadoria de Unidades de Conservação (CUC) da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), enviou condolências à família e aos amigos.

“Ele lutava pelo meio ambiente pelos direitos dos povos tradicionais há mais de 30 anos. Deixa um legado de lutas, vitórias, carinho e amizades; deixará saudades a nós todos”.

Montezuma Cruz, para o expressaorondonia.com.br



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