
PORTO VELHO – Há alguns anos um conhecido meu, defensor ardente dos “direitos humanos” e dos que chamam de “desfavorecidos da sociedade”, e similares, crítico duro dos que pensam em contrário, teve a casa de seus pais assaltada, os pais reféns, e no próximo encontro que tivemos, ele condenava os ladrões etc. Na minha terra dizem que “pimenta no … dos outros é refresco”.
Nunca quis ter arma em casa. Três vezes. Quando um delegado veio deixar um calibre 38 e dona Fátima recusou – eu não estava em casa e concordei com ela. Outra quando um jornalista boliviano que conheci quando eu fazia uma matéria na Bolívia, deu-me um revólver, e eu sem outra opção joguei a arma no rio, na travessia de Guayara para Guajará-Mirim. Na terceira quando alguém veio em casa e esqueceu uma arma, e como ninguém veio buscar eu a dei a um amigo que, pelo que sei, a usou só uma vez, quando um cão atacou e feriu gravemente outro amigo nosso e o animal acabou abatido.
Repito: não quero arma em casa. Mas no referendo de 2005 escrevi defendendo e votei pelo “Não”. Pode parecer uma posição dúbia. “Você vota pelo “Não” mas essa é a opção de quem é a favor da liberação”, pode dizer alguém que não conheça o jogo. Vamos por partes. Primeiro que a disposição da pergunta já levaria à confusão do eleitor menos esclarecido e quando o “sim” era o “não” e quando o “não” era o ”sim”, muita gente, apesar da imensa maioria ter sido pelo “não” deve ter votado “sim” por não ter entendido bem o processo. Além disso, muita gente pode ter-se decidido pelo “sim” porque o PT, e o então presidente Lula fizeram campanha pelo “sim”. Àquela altura era muito grande a influência do “Jornal Nacional” na formação da opinião pública, e todo o sistema Globo era pelo “Sim”.
Não sou favorável que cada pessoa ande com uma arma, mas, sim, defendo o direito de o cidadão ter uma arma, desde que cumpridas normas legais. Em nosso país é comum que se um cidadão, ao defender seus bens e sua família, atira e atinja quem o está ameaçando ou roubando, é comum que logo “n” entidades, inclusive públicas, religiosas, ONGs etc, acusem o autor do disparo ainda que todas as provas levantadas pela perícia concluam que, sem outra opção, ele ou sua família seriam mortos.
A questão vem à baila quando o site tribuna popular.com.br, trata da questão através da entrevista feita com o analista de segurança Bene Barbosa, coautor do livro ‘Mentiram para mim sobre o desarmamento’, escrito em parceria com Flavio Quintela. As questões que ele levanta são pertinentes. Afinal, repetindo a mesma pergunta que fiz em 2005 em artigo assinado no jornal Alto Madeira e no site gentedeopiniao.com.br, aquele resultado só mudou uma coisa: as restrições a quem queira ter uma arma em casa só aumentaram. E a marginalidade está, a cada dia, mais armada e mais confiante na certeza de que o cidadão não pode se defender, e que o agente da Lei, na maioria das vezes, tem sua ação execrada inclusive pela imprensa e até mesmo pela igreja. Ou estou errado?
Quinze anos depois daquele referendo, continuo defendendo meu voto pelo “Não”. Da mesma forma como defendo o fim do voto obrigatório, o direito (e não o dever) de o religioso constituir família; o direito de pensar pelo que acredito e não me deixar levar pela estupidez chamada “politicamente correto”; de ser mudado o ECA porque, mantendo-se como agora, nivela-se por baixo juntando num só grupo jovens sem passagem pelo crime com outros que, muitas vezes, tenham uma “folha corrida” tão extensa mas que, completados 18 anos, serão zerados.
Daí que sugiro ao leitor, ainda que você seja ou tenha votado pelo “Sim”, que acesse a entrevista, do Bene Barbosa (https://tribunapopular.com.br/2020/07/a-quem-interessa-desarmar-a-populacao-brasileira/).
Inté amanhã, se Deus quiser!
É repórter – [email protected]









