ESTADOS UNIDOS – O apoio familiar pode ser essencial nos cuidados de um bebê, já que auxiliar no desenvolvimento de uma nova vida enquanto se mantém outras atividades na rotina não é das tarefas mais fáceis. Tudo isso vale para os humanos, mas também pode ser dito dos pássaros. É o que argumenta um novo estudo da Universidade de Vanderbilt, publicado em fevereiro na revista científica Nature Ecology & Evolution.
O estudo investigou como a criação cooperativa de filhotes – ou seja, com ajuda de outros membros adultos não reprodutores – afeta a evolução da capacidade de canto das fêmeas. Os resultados mostraram que fêmeas de espécies com esse tipo de criação têm maior probabilidade de cantar.
A araponga (Procnias nudicollis) é conhecida pela alto canto do macho, mas as fêmeas da espécie também têm a capacidade de vocalização - Foto: Fábio Manfredini/Flickr
“A aprendizagem vocal, presente tanto em humanos quanto em pássaros canoros, é extremamente rara no reino animal. Ao estudar como a cooperação e o comportamento territorial influenciam a comunicação em aves, obtemos informações sobre como a complexidade social molda a evolução de forma mais geral”, explica Kate Snyder, uma das autoras do estudo, em comunicado.
Evolução dos cantos femininos
O canto dos pássaros costuma ser associado a uma característica sexualmente masculina, já que ele pode ser usado para atrair potenciais parceiras. Porém, é comprovado que fêmeas de certas espécies também cantam, e que a capacidade é, provavelmente, herdada dos pais.
Para entender as condições que influenciam o canto feminino, pesquisadores analisaram a história evolutiva de 1.041 espécies de pássaros canoros, levando em conta informações sobre canto, criação cooperativa e hábitos de territorialidade.
De acordo com o estudo os dados indicaram “relação bidirecional robusta entre a reprodução cooperativa e o canto feminino”. No entanto, o comportamento territorial traz uma camada a mais de complexidade, já que foram identificadas espécies de reprodução cooperativa e canto feminino com esse traço, mas também espécies pouco territoriais, com pouca ligação entre essas duas características.
Uma das espécies que é conhecida por apresentar tanto canto masculino quanto o feminino é o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus). Eles participam conjuntamente de chamados territoriais e de cantos reprodutivos — Foto: Dominic Sherony/Flickr
Para além do estudo das funcionalidades do canto feminino em pássaros, as pesquisadoras planejam se aprofundar em outros aspectos desses cantos. Um exemplo de investigação é entender o motivo de algumas aves cantarem simultaneamente ou de forma coordenada.
“As aves são um dos grupos de animais mais diversos e bem documentados da Terra, (…) apresentando enorme variação em comportamento e sistemas sociais. (…) As canções são comportamentos aprendidos e transmitidos socialmente, mas evoluem entre as espécies ao longo de milhões de anos. Isso faz das aves um excelente exemplo para estudar como as características culturais e a evolução interagem”, declara Snyder.
Por: Fernanda Zibordi Fonte: Revista Galileu




Uma das espécies que é conhecida por apresentar tanto canto masculino quanto o feminino é o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus). Eles participam conjuntamente de chamados territoriais e de cantos reprodutivos — Foto: Dominic Sherony/Flickr





