Sindicato Médico diz que Governo ignorou solenemente plano apresentado pela classe e o acusa de não dialogar ou aceitar sugestões

PORTO VELHO – Há três meses, desde quando o coronavírus se expandiu pelo país e ficou claro que Rondônia iria ser envolvida pelo mal, o Simed, Sindicato Médico de Rondônia buscou diálogo com as secretarias de Saúde Estadual (Sesau) e a municipal (Semsau) oferecendo parceria, fazendo sugestões e propondo medidas que no entendimento da categoria são importantes para combater a doença. Nenhuma resposta, conforme a presidente da entidade, médica Flávia Lenzi.

Flávia Lenzi, presidente do Simero, afirma que o sindicato tentou ajudar o Governo e antecipar soluções pra a questão do covid e, três meses depois, nada do sugerido foi atendido

No documento, o Simed deixa claro não haver dúvidas com relação a erros que teriam sido cometidos pela secretaria de Saúde do Estado e, por extensão, pelo Governo, e que vêm resultando na situação de extrema urgência e falta de condições para o combate à pandemia em Rondônia. Desde março o sindicato e outras classes “entidades representativas dos trabalhadores em saúde de Rondônia” participam de encontros com a Sesau e a Semusa.

Segundo Flávia Lenzi, em março “elaboramos um projeto de enfrentamento à covid, onde, dentre outras coisas, estava proposta a construção de hospital de campanha utilizando a POC (Policlínica Oswaldo Cruz) e a FATEC (Faculdade de Administração e Tecnologia de Rondônia) – ambas vazias durante a pandemia e em localizadas ao lado do Hospital de Base”. A localização a menos de 100 metros de distância do Hospital de Base, “faria com que fossem considerados anexos do hospital”, sem necessidade de nova equipe para direção, seria usado o mesmo refeitório, cozinha, lavanderia, farmácia, almoxarifado, enfim, a estrutura toda desse gigante que é o nosso HB.

A presidente do Simero continua:  “seriam possíveis colocar de 300 a 400 leitos, onde seriam colocados os pacientes leves da Covid e em separado os pacientes não graves do HB. Isso deixaria muitas enfermarias do HB disponíveis para que seus quartos fossem transformados em UTIs”.

A proposta indicava inclusive a questão do fluxo de pacientes, para onde a população poderia se dirigir inicialmente, e sobre os treinamentos para as equipes, coisa que consideramos de fundamental importância. “Até hoje há dúvidas sobre para onde mandar o paciente, quais parâmetros observar, como acompanhar o paciente leve que foi mandado para casa, mas que pode piorar a qualquer momento. Desassistida, assim, a população e desassistidos os Médicos e demais profissionais da saúde”.

A representante da categoria continua lamentando que além de não ter sido levado em consideração o projeto, também não foram implementadas outras providências, como o treinamento de pessoal. Nem sequer treino para as equipes foi feito.

CLOROQUINA E HIDROXICLOROQUINA

“Falamos também no uso da cloroquina e hidroxicloroquina, pois com tanta confusão criada por notícias tendenciosas, há médicos até com medo de prescrever a droga. Se sabemos que se administrada no início dos sintomas pode levar a uma evolução mais branda, inclusive sem necessidade de internação em UTI, por que não estimular seu uso em uma situação em que estouramos nossa capacidade de internação em UTI?” Ela cita ter sido colocado na proposta “o amparo legal. Pode sim prescrever. Se com isso diminuirmos a gravidade da doença na população, será uma vitória sem precedentes”.

Ao concluir, o Simero considera uma “afronta” acusar a população. “Temos sim que orientar a população, mas não podemos jogar neles a culpa do caos. Esperamos que as pessoas se sensibilizem e entendam que distanciamento social e medidas de higiene são salvadores, mas temos que dar condições de atendimento a quem chega sofrendo e a sua família”.



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