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domingo 24 outubro 2021

SEMANA DA PÁTRIA – Lembranças de um tempo em que civismo era coisa séria e havia orgulho em desfilar

Mal começava a aula do 2º semestre escolar e todas as atenções já se voltavam para o desfile “do dia Sete”

Célio Leandro* 

PORTO VELHO – Os tempos eram outros? Não. O que é outro é a falta de sentimento cívico, estimulado – até – pelos modismos, era aí há uns 40 a mais anos, para a maioria dos estudantes de então, um período muito esperado, a preparação e a participação nos desfiles do Sete de Setembro.

Hoje, com dois anos, devido à pandemia, sem os desfiles, há quem diga que a vontade “não arrefeceu”, e há quem culpe a covid pelo desinteresse de alunos e professores. “Nos tempos modernos falta motivação”, disse a estudante Maria Rosa, da escola “Governador Jorge Teixeira”, zona leste.

Guarda Bandeira, 1967, colégio Dom Bosco desfilando, as calças na moda da época, pantalonas, e os cabelos idem época

COMO ERA

Mal começava a aula do 2º semestre escolar e todas as atenções já se voltavam para o desfile “do dia Sete”. Tinha a turma da banda, as turmas dos pelotões das bicicletas e (ah!) a cereja do bolo: fazer parte da “Guarda Bandeira”, mas também havia posições importantes, como ser “pelotão”, normalmente uma jovem bem apessoada, com um uniforme “de gala”.

As escolas iniciavam seus ensaios, primeiro pelas bandas. Normalmente havia estudantes que sabiam tocar alguma coisa, mas também havia os que não sabiam nada, mas buscavam um espaço porque ali era um passaporte bom para ganhar uma namorada.

“Ou para encarar uns caras que estavam afim delas e aí o jeito era encarar”, como lembrou o (hoje) professor de Educação Física Márcio Brandão, atualmente trabalhando com alunos especiais na “Pestalozzi”. Durante três anos ele participou da banda do Carmela

“Tudo acontecia depois do ensaio, quando a turma se reunia na Praça Aluízio Ferreira e aos poucos os casais iam se formando, e se afastando do grupo”.

1967 – A Escola Kennedy conta a história de Guajará-Mirim durante o desfile

 

Há quem diga que pais mais bem aquinhoados eram capazes de pagar para uma filha sair em destaque no desfile do “Auxiliadora”, do “Dom Bosco”, ambas escolas particulares.

Nas escolas públicas a organização dependia da direção escolar, e ninguém duvida que quando a professora Marise Castiel era diretora do Carmela Dutra, os preparativos levavam aos mínimos detalhes.

“Dona Marise não deixava passar nada. Desde a altura da saia até as paqueras”, lembrou o funcionário público aposentado Jorge Santos Cardoso, “naquele tempo nós reclamávamos, mas hoje sabemos que ela e os professores tinham razão”.

CONCORRÊNCIA

Não havia concorrência só pelas paqueras e pelas disputas normais da idade. As escolas também se esmeravam para apresentar cada uma melhor que a outra. “Barão do Solimões”, “Carmela Dutra” e “Castelo Branco” sempre procuravam fazer melhor que as escolas particulares.

Além disso cada Banda procurava se esmerar na organização, número de participantes, na batida etc. E os pelotões de alunos tinham de marchar, “e não fazer como nos últimos anos que mais parece estarem enfadados com o desfile”, lembrou a dona de casa Elizabeth, que estudava no Auxiliadora.

Segundo ela, as freiras marcavam em cima. “Tinha de ser de passo certo, a farda arrumada, o cabelo penteado, tudo no lugar”, lembra a hoje avó, lembrando que agora “os netos nem falam de desfiles de Sete de Setembro”, o que não é novidade.

*É professor, mestre em história

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