Rondônia está em alerta, com 11 casos de Mpox confirmados em Porto Velho; Agevisa reforça medidas preventivas

O cenário atual não se compara à gravidade da pandemia de covid-19, mas os 11 casos confirmados em poucos meses de 2026 exigem atenção e responsabilidade coletiva

PORTO VELHO – A semana começou com sinal de alerta na saúde pública de Rondônia. Em entrevista ao jornalista Carlos Araújo, na Rádio e TV Informa na Hora, o diretor-geral da Agevisa, coronel Gilvander Gregório, foi direto ao ponto: “Já temos 11 casos confirmados de Mpox em Rondônia, todos em Porto Velho. Os pacientes estão em isolamento domiciliar e com quadro estável.” São quatro mulheres e sete homens, com idades entre 8 e 38 anos.

“Informação é tudo. Precisamos orientar a população para que saiba identificar os sintomas e agir rapidamente”, afirmou Gregório, que concedeu a entrevista com o objetivo claro de alertar e educar a população rondoniense.

A doença, anteriormente conhecida como monkeypox, volta ao debate público em um momento de vigilância epidemiológica reforçada. O coronel contextualizou a origem do vírus para os ouvintes: “Ele foi identificado pela primeira vez em 1958, durante estudos com macacos na África. Mas o principal reservatório natural não é o macaco — é o roedor silvestre.” O primeiro caso humano foi registrado na década de 1970.

Em Rondônia, o histórico recente revela uma escalada que preocupa as autoridades. O primeiro registro no estado ocorreu em 2022, com oito casos confirmados. Nos anos seguintes, 2023 e 2024, apenas um caso por ano. Em 2025, o mesmo. “Agora, já nos primeiros meses de 2026, chegamos a 11 casos. É o maior número que já registramos”, destacou o diretor.

Como a doença se manifesta e se transmite

Gregório detalhou os sintomas para quem acompanhava a transmissão: “A pessoa começa com febre, dores no corpo e nas costas, ínguas, calafrios e mal-estar. Mas o sinal mais característico são as erupções com bolhas na pele. Quando aparecem essas lesões, é preciso procurar atendimento imediatamente”.

Sobre as formas de contágio, o coronel foi enfático: “A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com as secreções das lesões, pelo contato íntimo e até pelo compartilhamento de objetos do dia a dia, como copos, talheres e toalhas. Também pode ocorrer por gotículas respiratórias, em situações de contato próximo e prolongado”.

O período de incubação, explicou, varia de três a cinco dias para o início dos sintomas, mas o isolamento pode se estender por até 21 dias, conforme a evolução de cada caso. “E o isolamento não é castigo, é prevenção. Ele é o que limita a circulação do vírus na comunidade”, reforçou.

Tratamento sintomático e vacinação por critério

Ao ser questionado sobre tratamento, Gregório esclareceu: “não existe medicamento específico contra a Mpox. O que fazemos é um tratamento sintomático — controlamos a dor, a febre, o desconforto, enquanto o próprio organismo combate a infecção.” Sobre a vacina, o diretor explicou que ela está disponível em Porto Velho, mas segue critérios definidos pelo Ministério da Saúde. “É o que chamamos de vacina de bloqueio. Ela é indicada para três grupos: pessoas vivendo com HIV, profissionais de saúde que têm contato direto com pacientes e pessoas entre 18 e 49 anos que tiveram contato próximo com um caso confirmado.” E fez um alerta importante: “Quem já está infectado não deve receber o imunizante”.

A coleta para diagnóstico é realizada em três unidades de saúde da capital — o Posto do Caladinho, na Zona Sul; o Posto do Aponiã, na Zona Norte; e o Posto do Socialista, na Zona Leste. As amostras seguem para o Laboratório Central do Estado, e cada notificação gera rastreamento de contatos, histórico de viagens e investigação de possíveis fontes de exposição. “O Cievs, nosso Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, funciona 24 horas monitorando cada dado que entra”, acrescentou Gregório.

Aglomerações ampliam o risco

O jornalista Carlos Araújo (d) levantou a relação entre grandes eventos e o aumento de casos, como já observado em anos de carnaval. O coronel confirmou a ligação: “o que chamamos de desenho epidemiológico mostra exatamente isso — onde há aglomeração, o vírus circula mais. Não só a Mpox, mas influenza, covid-19 e outros vírus respiratórios. Aglomeração é sempre um fator de risco”.

E deixou um recado prático para a população: “Se estiver gripado, com sintomas, vá ao posto de saúde. Se insistir em sair, use máscara. É proteção para você e para os outros”

Rondônia lidera cobertura vacinal no Norte do país

Apesar do alerta, Gregório trouxe um dado que surpreendeu positivamente: “Rondônia é hoje o terceiro estado do Brasil em cobertura vacinal, atrás apenas de Mato Grosso do Sul e do Paraná. E somos líderes absolutos nas regiões Norte e Nordeste”. O estado conta com mais de 450 salas de vacina distribuídas nos 52 municípios, e em Porto Velho um espaço especial de imunização funciona diariamente no Porto Velho Shopping.

Mas o coronel também fez um alerta que considera urgente: “Depois da pandemia de Covid-19, as pessoas pararam de buscar as vacinas de rotina. Antes, iam em média nove vezes ao posto para completar 18 doses. Hoje estão indo quatro vezes. Isso significa vacina vencida no braço e risco real de retorno de doenças que já tínhamos sob controle”.

O papel da Agevisa vai além dos vírus

Ao longo da entrevista, Gregório aproveitou para ampliar o olhar da população sobre o trabalho da agência. “A Agevisa não cuida só de vírus. Somos responsáveis pela distribuição de vacinas em todo o estado, pelo soro antiofídico, pela vacina antirrábica animal, pelos medicamentos para tuberculose e hanseníase, pela fiscalização de alimentos e pelo monitoramento de agrotóxicos”. E citou um resultado que considera motivo de orgulho: “Os casos de malária em Rondônia caíram 58% no último ano. Isso é fruto de trabalho contínuo e silencioso”.

Confira a entrevista no YouTube:

Ao encerrar a entrevista, o diretor deixou uma mensagem direta para quem estava ouvindo: “Vacina é saúde. Peguem o cartão de vacina, confiram o que está em dia e o que está faltando. É um ato de amor — com você, com sua família e com a comunidade”.

O cenário atual não se compara à gravidade da pandemia de covid-19, mas os 11 casos confirmados em poucos meses de 2026 exigem atenção e responsabilidade coletiva. A Mpox não justifica pânico, mas tampouco pode ser ignorada. Como deixou claro o coronel Gilvander Gregório ao longo de toda a entrevista: informação e vacinação continuam sendo, hoje como sempre, as ferramentas mais eficazes diante de qualquer ameaça à saúde pública.

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