Rondônia, domingo, 24 de outubro de 2021, às 23:14 [email protected] - Telefone 69 9 99475050

domingo 24 outubro 2021

‘Punhal da traição’ de Cristiane Lopes pode cobrar a outra face nas próximas eleições

RESENHA POLÍTICA - Robson Oliveira

Robson Oliveira

PORTO VELHO – Embora em contratos temporários os contratados saibam antecipadamente que não são duradouros, o anúncio extemporâneo da Secretaria Estadual de Saúde em demitir mais de mil profissionais da saúde contratados para servirem no front da pandemia da covid-19, foi no mínimo desumano. Não houve o cuidado por parte de Fernando Máximo, secretário estadual, de avisar com antecedência aos pais e mães de famílias agora demitidos. Máximo conseguiu, enfim, promover o máximo da maldade em plena pandemia. 

DEFASAGEM

O secretário não tem como alegar que os enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, entre outras especialidades, contratados no pico da pandemia, agora com a vacinação e diminuição das internações, tenham ficado ociosos. Pelo contrário, todos esses profissionais foram remanejados para trabalhar nas unidades para suprir a defasagem existente, visto que o último concurso público estadual remonta ao ano 2017.

PRECARIZAÇÃO

De 2017 para cá, aumentaram as internações, diminuíram o número de profissionais no atendimento e surgiram novas unidades de saúde. Portanto, trabalhadores demitidos não estavam ociosos e cobriam a defasagem existente. As demissões tendem a refletir sobremaneira de forma ruim no atendimento aos necessitados, aumentado a precarização da saúde.

PRIVILEGIADOS

O único Conselho de Classe que não reagiu firme contra as demissões foi exatamente o de Medicina, mesmo com médicos sendo dispensados. E não criticou porque Fernando Máximo imediatamente às dispensas dos enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e técnicos, abriu novas nomeações temporárias para esta categoria (médicos), excluindo as demais profissões. Daí, a reação crítica e dura contra as demissões do Conselho de Enfermagem e Fisioterapia pelo privilégio dado ao máximo aos médicos.

TRAIÇÃO

A cooptação de   pelo governador para ocupar o cargo de secretária adjunta da educação, após uma disputa acirrada quando foi derrotada à prefeitura da capital por Hildon Chaves, foi considerada pelos dirigentes do PODEMOS – partido presidido em Rondônia pelo deputado federal Léo Moraes – como traição.

PALAVRA

Cristiane Lopes havia recebido ainda no primeiro turno o apoio à sua candidatura a prefeita de todo o staff do deputado federal Léo Moraes, o que fez com que obtivesse sucesso para disputar o segundo turno, uma vez que a segunda vaga ela disputou voto a voto com Vinícius Miguel (candidato solitário) e com o candidato apoiado com a ajuda da estrutura do governo estadual, Breno Mendes. Pelo apoio recebido do deputado Léo Moraes, após as eleições, Cristiane havia se comprometido a deixar o PP e ingressar no PODEMOS para disputar uma vaga na Câmara Federal. Ela realmente saiu PP, mas não chegou a pedir filiação no partido dirigido regionalmente pelo deputado federal. Quebrou a palavra.

SINECURA

Ao assumir um cargo no primeiro escalão do Governo de Rondônia, a ex-vereadora Cristiane Lopes praticamente abriu mão de uma candidatura a deputada federal com apoio de um grupo com votos consolidados na capital por um salário de cerca de quinze mil reais, e por apenas oito meses. O apoio de Léo Moraes à candidatura da ex-vereadora a prefeita indiscutivelmente turbinou o resultado das eleições da capital, totalizando quase cem mil votos obtidos por ela no segundo turno. Um apoio que naturalmente perdeu ao aceitar a sinecura e, portanto, será sentido em 2022, embora essas traições sejam lamentavelmente do jogo político que se impõe no país.

COLIGAÇÕES

A proposta da Câmara Federal em ressuscitar as coligações está praticamente sepultada em razão das objeções dos senadores em apoiar esta ressurreição. É muito pequena a probabilidade de ser reeditada na votação a adoção das coligações já que está praticamente descartada a proposta majoritária do Senado em instituir a federação dos partidos em substituição às coligações. Pela proposta dos senadores, os partidos se reuniriam em uma confederação para disputar as eleições em conjunto, driblando, assim, as cláusulas de barreiras. A proposta também suscita reações contrárias porque obrigaria aos partidos reunidos nessas confederações a permanecerem juntos por quatro anos. O que no Brasil é hoje algo inexequível, devido aos interesses partidários inconfessáveis.

LIMBO

Embora a Câmara Federal tenha apressado a votação do novo Código Eleitoral, no Senado a tendência é deixar o debate e a votação no limbo, ou seja, sem discussão nem previsão de aprovação. As contradições entre os que querem os deputados federais e os senadores para aprovar uma legislação eleitoral mais duradoura são enormes, o que impede algum tipo de consenso.

REGRAS

Caso o Senado decida mesma expirar o prazo (3/10) sem votar as novas regras para as eleições 2022, toda a legislação eleitoral anterior aprovada e que regrou as eleições municipais passadas será a que vai vigorar nas eleições de 22. Há no Congresso Nacional um grupo de parlamentares preocupados com a falta de previsibilidade legislativa mais duradoura nas eleições e que quer convencer os demais colegas a aprovar uma proposta que seja mais adequada para entrar em vigor a partir das eleições de 2024.

DONATÁRIOS

O problema é convencer os donatários dos partidos cartoriais, sem muita representatividade eleitoral, a apoiar a proposta deste grupo de parlamentares mais comprometidos com os interesses nacionais. Assim como os parlamentares que veem em uma nova legislação como obstáculos aos seus interesses pessoais. Não é fácil mudar algo no Brasil quando a mudança afeta ao status quo. O Brasil continua sendo uma capitania dos coronéis regionais. Infelizmente.

BARRADO

O ex-advogado geral da União, André Mendonça, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal, está próximo de ser o sexto indicado ao cargo a ser barrado pelo Senado Federal. Os cinco primeiros foram rejeitados no século 19, indicados por Floriano Peixoto. Mendonça seria o primeiro neste século barrado pelos senadores por assumir posições lavajatistas e ter sido indicado pela condição de ser “terrivelmente evangélico”. Para piorar a situação, domingo passado, em um culto em Brasília, o ungido revelou que é submisso apenas aos dogmas religiosos. Mais um obstáculo para quem deveria prometer ser submisso primeiro à constituição federal. Parece que até Bolsonaro teria abandonado o indicado a própria e não converte um senador em favor do indicado.

Outras notícias