Processo seletivo em Alvorada seleciona parentes de organizadores e MP pede suspensão de contratações

O MPRO concedeu prazo de cinco dias para que os destinatários da recomendação informem se irão cumprir as medidas propostas e apresentem as providências adotadas

ALVORADA DO OESTE – O Ministério Público (MPRO) desconfia da retidão de um processo seletivo da Prefeitura Municipal e recomendou, na terça-feira, 18, a suspensão de convocações, contratações e posses dos candidatos aprovados para o cargo de Agente de Endemias no processo seletivo realizado pela Prefeitura de Alvorada do Oeste.

Durante a investigação, a secretaria municipal de Saúde informou a Promotoria que três candidatos entre os mais bem colocados ocupam cargos comissionados na Prefeitura, nas áreas de Saúde e Assistência Social. Também foi confirmado que outros candidatos classificados possuem relação conjugal com servidoras efetivas do município.

Segundo a Promotoria de Justiça, parte dos aprovados dentro das vagas oferecidas possui ligação direta com setores responsáveis pela condução do processo seletivo. A informação reforçou a necessidade de apuração dos fatos.

A medida foi adotada pela Promotoria de Justiça do município após a abertura de investigação que apura possíveis favorecimentos a candidatos com vínculos familiares e funcionais com a administração municipal, além de questionamentos sobre critérios de pontuação utilizados na seleção.

A recomendação, assinada pelo promotor de Justiça Cláudio Colaço Villarim, foi encaminhada ao prefeito, à secretária municipal de Saúde e à comissão responsável pelo processo seletivo. O objetivo é evitar novas etapas de contratação até a conclusão das apurações conduzidas pelo Ministério Público.

Critérios de pontuação sob análise

O MPRO também questiona uma regra do edital relacionada à pontuação por cursos de aperfeiçoamento. Para o cargo de Agente de Endemias, o edital exigiu carga horária maior para obtenção da pontuação máxima em títulos quando comparado aos demais cargos do mesmo processo seletivo.

De acordo com a investigação, esse critério teve impacto direto na classificação final dos candidatos. A Promotoria avalia se a exigência possuía justificativa técnica e se houve tratamento adequado entre os concorrentes. O MPRO também identificou possíveis inconsistências na análise de recursos e na aplicação de critérios de desempate.

Medidas recomendadas

Além da suspensão das contratações, o Ministério Público recomendou a preservação de toda a documentação do processo seletivo e a formalização de declarações sobre possíveis impedimentos dos integrantes da comissão organizadora. Também foi solicitado que novos atos relacionados ao certame sejam comunicados previamente ao órgão.

A Promotoria ainda apontou que documentos solicitados durante a investigação não foram localizados no processo administrativo encaminhado para análise. Entre eles estão registros de reuniões da comissão organizadora e outros documentos mencionados no edital.

O MPRO concedeu prazo de cinco dias para que os destinatários da recomendação informem se irão cumprir as medidas propostas e apresentem as providências adotadas.

Fonte: Gerência de comunicação integrada (GCI-MPRO)


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