Orelhões – Da revolução na telefonia ao abandono nas ruas; por que eles ainda existem?

A chegada dos celulares populares, principalmente a partir dos anos 2000, deu início à queda do uso dos orelhões

PORTO VELHO – Os telefones públicos denominados orelhões já representarão avanço tecnológico no setor de telefonia, quando esse serviço ainda era exclusividade das classes mais abastadas e começaram a popularizar o acesso das classes C e D a este meio de comunicação. Atualmente, se perguntar a um jovem ou uma jovem na faixa de até 18 anos se eles já telefonaram de um orelhão eles vão te olhar, no mínimo, estranho.

Nesta segunda-feira, enquanto caminhava pela rua o repórter Montezuma Cruz fez uma rápida reportagem sobre estes aparelhos que já prestaram relevantes de comunicação serviços às classes menos abastadas.

Confira o vídeo:

Durante décadas, os telefones públicos — os famosos orelhões — fizeram parte da rotina de milhões de brasileiros. Muito mais do que um equipamento urbano, eles simbolizaram uma fase de transformação tecnológica e democratização da comunicação no país.

Tecnologia que democratizou a comunicação os telefones públicos, conhecidos como orelhões, já representaram um grande avanço tecnológico no setor de telefonia em um período em que possuir uma linha telefônica era exclusividade das classes mais abastadas. Para muitas famílias das classes C e D, o orelhão foi a primeira porta de acesso a um serviço de comunicação que, até então, parecia distante e inalcançável.

Criado no início dos anos 1970, o design em formato de concha permitia reduzir ruídos e proteger o usuário, tornando as ligações mais práticas mesmo em ambientes movimentados. Rapidamente, esses telefones se multiplicaram em esquinas, praças, rodoviárias, postos de gasolina e diversos pontos de grande circulação.

Uma geração que não viveu essa história

Atualmente, perguntar a um jovem de até 18 anos se ele já telefonou de um orelhão costuma gerar olhares curiosos — ou até estranhos. Para a geração que nasceu na era da internet móvel, dos aplicativos de mensagem e da hiperconectividade, o orelhão não passa de um objeto de outra época. Muitos nunca usaram e sequer sabem como funcionava o sistema de fichas e cartões telefônicos que marcaram a vida de gerações anteriores.

Do auge ao declínio

A chegada dos celulares populares, principalmente a partir dos anos 2000, deu início à queda do uso dos orelhões. Com o tempo, as operadoras passaram a reduzir os investimentos em manutenção, já que os aparelhos se tornaram economicamente inviáveis.

Abandonados nas vias públicos hoje eles são visto com indiferença, até mesmo por quem já se utilizou dele em demasia, conforma mostra o vídeo abaixo:

Em 2018, uma resolução da Anatel flexibilizou a obrigatoriedade de manter esses telefones em grande quantidade. A partir daí, muitos foram desativados — mas não retirados. A retirada física exige custos logísticos, mão de obra e transporte, o que fez muitas concessionárias simplesmente deixarem a estrutura instalada.

Por que ainda existem orelhões abandonados?

Mesmo fora de funcionamento, muitos orelhões continuam espalhados pelas cidades. Isso ocorre por alguns motivos:

  1. Desativação sem remoção

O mecanismo interno é desligado, mas a carcaça permanece. Assim, postes, cúpulas e cabos continuam ocupando espaço urbano.

  1. Regiões com baixa cobertura

Em áreas mais afastadas, rurais ou periféricas, alguns aparelhos ainda oferecem utilidade, mesmo que em número reduzido.

  1. Custo e burocracia

Em algumas localidades, remover equipamentos antigos depende de autorização de órgãos urbanos, cronogramas da concessionária e custos que muitas empresas evitam assumir.

  1. Patrimônio afetivo

Para muita gente, o orelhão representa nostalgia. É um símbolo de uma época em que fazer uma ligação exigia fichas, cartões ou um pouco de paciência nas filas.

Memória urbana deixada para trás

O que antes foi sinônimo de modernidade e inclusão social, hoje se transforma em peça de mobiliário urbano abandonada. Ainda assim, cada orelhão que resiste conta um pedaço da história recente do Brasil — uma história de transformação tecnológica acelerada e mudanças profundas nos hábitos de comunicação.

Enquanto alguns permanecem intocados, outros aguardam remoção ou possível reaproveitamento. E, mesmo esquecidos, continuam lembrando que nem faz tanto tempo assim que conversar com alguém, pedir ajuda ou avisar que chegaria mais tarde dependia de um orelhão na esquina.

Reportagem de Montezuma Cruz, com texto de Carlos Araújo, com  recurso de IA


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