O incompreensível voto obrigatório é motivo de protesto – Valdemir Caldas*

Alguns acham incompreensível que, em plena democracia, cidadãos sejam obrigados a participar das escolhas dos governantes por determinação do Estado, mas, também, há os que não se incomodam com isso

Valdemir Caldas*

PORTO VELHO – É comum, a cada eleição, desde cedo, eleitores formarem longas filas nas principais secções eleitorais de Porto Velho, na tentativa de cumprir logo o dever de cidadão. A maioria não se incomoda de ter que esperar algumas horas a mais até o início dos trabalhos para exercer o direito de voto, porém, não são poucos os que reclamam, categoricamente, de que só estão votando porque, no Brasil, o voto ainda é obrigatório; caso contrário, não deixariam o conforto de suas casas nem sacrificariam o lazer com a família para votar.

Há quem diga, contudo, que o envolvimento de autoridades e políticos brasileiros em denúncias de corrupção não só fere de morte a democracia, como também contribui significativamente para aumentar a apatia de muitos eleitores, levando-os a perder o interesse pelo processo eleitoral. E esse sentimento de descrença pode ser verificado no crescente número de votos nulos e brancos, geralmente, usados por segmento importante do eleitorado como demonstração de protesto ou indiferença.

No Brasil, o voto é obrigatório desde 1932. Essa obrigatoriedade é uma discussão antiga entre eleitores. O tema sempre volta à tona nas eleições. Uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha e publicada na revista Veja de 2020 revela que 56% dos entrevistados são contra o voto obrigatório. Muitos brasileiros veem um traço autoritário na obrigatoriedade do voto.

Alguns acham incompreensível que, em plena democracia, cidadãos sejam obrigados a participar das escolhas dos governantes por determinação do Estado, mas, também, há os que não se incomodam com isso, reconhecendo que o Brasil só vai mudar quando o eleitor se conscientizar da importância de seu voto e aprender a escolher com responsabilidade os seus dirigentes.

*É servidor público aposentado e analista político


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