RO, Sábado, 25 de maio de 2024, às 14:17



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Mesmo faltando nas Upas, médicos em Porto Velho são 27 a mais que em todos os municípios de Rondônia juntos

A qualidade da assistência não é uma questão apenas matemática, mas exige planejamento e boa gestão”, afirma o presidente do CFM, José Hiran Gallo

PORTO VELHO – Apesar da dificuldade do Poder Público em suprir de médicos as Unidades de pronto atendimento (Upas), postos de saúde e os grandes hospitais, a capital de Rondônia tem 27 médicos a mais que todos os outros 51 municípios juntos. Essa realidade emerge do estudo demografia médica, elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e que teve o recorte Rondônia divulgado pelo Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero), nesta terça-feira, 8.

É uma situação paradoxal que deveria ser bem pensada pelos gestores públicos que tocam a coisa na base do: ‘a população tem de aceitar o que se tem’.

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A quantidade de médicos em Rondônia aumentou 155% de 2011 para cá, segundo dados da pesquisa demografia médica 2024, do Conselho Federal de Medicina (CFM). Divulgado nesta segunda-feira, 8, o levantamento aponta que o estado tinha 1.738 médicos há 13 anos e, agora, conta com 4.449 profissionais. Com isso, a densidade por mil habitantes também cresceu: passou de 1,11 para 2,81 médicos por cada grupo de mil pessoas.

“Os dados indicam que o estado conta hoje com mais médicos. Mas a que custo? Observamos a criação indiscriminada de escolas médicas no País, sem critérios técnicos mínimos, o que afeta a qualidade da formação em medicina. Outra questão a ser observada é que o aumento do número de médicos depende também de melhores condições de trabalho e de estímulo aos profissionais no cumprimento de sua missão. A qualidade da assistência não é uma questão apenas matemática, mas exige planejamento e boa gestão”, afirma o presidente do CFM, José Hiran Gallo.

Em Rondônia, são 2.307 médicos e 2.142 médicas. A média de idade desses profissionais é de 41,64 anos, enquanto a média do tempo de formado chega a 14,11 anos. Na distribuição pelo território, verifica-se 2.238 médicos atuando na capital, Porto Velho, ou seja, 50% do total, e 2.211 no interior.

Porto Velho se destaca com uma média de densidade médica muito superior à registrada no interior do estado.

Na capital, são 4,85 médicos para cada mil habitantes. Já no interior, é 1,97 por mil habitantes. A maioria dos médicos não tem registro de qualificação de especialidade médica (RQE): 2.633. Outros 1.816 são especialistas (têm RQE).

“Temos buscado cada dia mais a união de órgãos fiscalizadores e envolvidos com a saúde do nosso Estado. A luta do CFM e do Cremero é constante, para garantir dignidade ao trabalho do profissional médico e, consequentemente, a qualidade da prestação de serviço para toda população. Enfrentamos um caminho ainda cheio de obstáculos, mas nos posicionamos de forma incansável na defesa da ética frente a medicina e nossos pacientes”, acrescentou o presidente do Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero), Lucas Levi G. Sobral.

Brasil – A Demografia Médica 2024 do CFM revela que, nunca antes na história, o País contou com tantos médicos como atualmente. O levantamento mostra que o Brasil tem hoje 575.930 médicos ativos, uma das maiores quantidades do mundo. O número resulta em uma proporção de aproximadamente 2,81 médicos por mil habitantes, a maior já registrada na história nacional.

Desde o início da década de 1990, a quantidade de médicos mais que quadriplicou, passando de 131.278 para a atual, registrada em janeiro de 2024. Este crescimento, impulsionado por fatores como a expansão do ensino médico e a crescente demanda por serviços de saúde, representa um aumento absoluto de 444.652 médicos, ou seja, 339%, em termos percentuais.

Comparando os crescimentos da população em geral e da população médica, é possível ver que o total de médicos aumentou oito vezes mais do que a população em geral durante esse período. Em termos absolutos, a população brasileira passou de 144 milhões em 1990 para 205 milhões em 2023, conforme dados do IBGE.

www.expressaorondonia.com.br, com informações da Ascom-Cremero






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