Felpudas raposas da politicagem – Valdemir Caldas*

Hoje, com honrosas exceções, muitos buscam um mandato com a intenção de saquear o erário ou para ter imunidade (que alguns confundem com impunidade penal)

Valdemir Caldas*

PORTO VELHO – Antes de o povo de Israel entra na Terra Prometida, Deus ordenou a expulsão das nações pagãs (como os cananeus, por exemplo, que sacrificavam os próprios filhos em rituais macabros) que viviam em Canãa. E não o fez por acaso. O Senhor sabia que a convivência com povos idólatras, que não pertenciam à tradição judaico-cristã, levaria Israel à depravação moral e espiritual. E foi exatamente isso o que aconteceu. O povo escolhido e separado por Deus precisava manter-se santo para servir de exemplo, mas desobedeceu e, como consequência, pagou alto preço.

Isso também acontece na política!

Quando o eleitor insiste em manter nas casas legislativas felpudas raposas da politicagem, carcomidas pela podridão de acordo espúrios, que sempre deram um jeito de corpo para se manterem na crista da onda, não importando o sacrifício, o resultado é o que se tem visto no noticiário, ou seja, a repetição de escândalos, com a cartilha da ambição, da deslealdade e do cinismo norteando as atitudes de autoridades públicas e políticos.

Hoje, com honrosas exceções, muitos buscam um mandato com a intenção de saquear o erário ou para ter imunidade (que alguns confundem com impunidade penal). Muitos, inclusive, fazem planos e contabilizam, desde logo, as vantagens que serão auferidas quando eventualmente ascenderem aos postos de mando, não se importando com o fato de que a maioria da população está vendo e repudiando. Acham que discursos recheados com tintas de civilidade e a distribuição de prebendas às vésperas das eleições servirão para inebriar o povo, garantindo-lhes uma sobrevida.

Estamos, porém, diante de uma cruel realidade: ou mudamos a face deformada da politica nacional, ou, então, vamos continuar vendo recursos públicos sendo canalizados para os bolsos de corruptos. Com a arma do voto, vamos caprichar na escolha. Vamos separar o joio do trigo, arrancando o mal pela raiz, em vez de remediar os sintomas. Israel ignorou a advertência de Deus para expulsar os pagãos de Canãa. Isso gerou um ciclo de rebeldia espiritual e trouxe duras consequências para o povo.

E nós, até quando vamos continuar cegos e surdos à realidade atroz diante dos nossos olhos?

*É servidor público aposentado e analista político


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