Em tempos de COP-30, Rondônia ainda possui 1,2 milhão de hectares de floresta nativa primária

No cômputo geral da Sedam, 33 dessas UCs são consideradas de desenvolvimento sustentável

Montezuma Cruz

Estão em Rondônia dez das 805 Reservas Naturais do Patrimônio Natural (RPPNs) do País. Elas são áreas protegidas, de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Medem 3.848,75 hectares de extensão. No Brasil, as RPPNs totalizam 539,3 mil ha. Mas em termos de grandeza, as Unidades de Conservação (UCs) são bem mais atraentes. Segundo dados de 2025, a vegetação nativa é de ainda cobre a 2,2 milhões de ha, abrangendo 56% do estado; desse número, 1,2 milhão de ha são de florestas nativas primárias.

Apesar de Rondônia ter reduções significativas nas taxas de desmatamento – a queda de 62,5% entre agosto de 2023 e julho de 2024 –, por exemplo, e menos 35% no período seguinte, a área florestal tem perdas que variam a cada ano.

Em tempos de COP-30, o patrimônio verde deste estado amazônico se destaca: segundo a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), o carro-chefe nesse setor são as 40 Unidades de Conservação estaduais: desse total, sete são de proteção integral (três parques, duas reservas biológicas, duas estações ecológicas).

Nério Bianchini é o responsável pela RPPN que abrange o Cacoal Selva Park, grande fonte de recursos naturais na região sul do estado (Foto Montezuma Cruz)

No cômputo geral da Sedam, 33 dessas UCs são consideradas de desenvolvimento sustentável: 21 Reservas extrativistas (Resex), dez florestas estaduais e duas Áreas de Proteção Ambiental.  Em algumas Resex, grupos familiares de seringueiros utilizam equipamentos próprios para garantir o retorno da produção de seringueiras nativas.

Possivelmente, o fato de o látex sair dessas áreas rumo a indústrias de calçados na região Sul do País seja parte da economia invisível de Rondônia e um subtema de utilidade no grande debate setorial que a COP-30 enseja, em Belém do Pará.

Potencial de látex seria maior

O governo estadual não divulga a produção anual de borracha, mesmo tendo conhecimento que toda a “safra do látex” viaja para o Sul. Antes da pandemia, dados da organização Pacto das Águas indicavam que as Resex produziram 20 toneladas.

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Apesar de o setor ser ainda desestimulado e de o antigo território federal ter vivido o histórico Ciclo da Borracha, técnicos da Emater, da Secretaria da Agricultura e da Sedam acreditam que o potencial de produção pode ser muito maior.

Estudos feitos na Sedam, em análises a respeito da produção das comunidades em Resex, detectaram que 54 pequenos seringueiros brancos e indígenas colheram aproximadamente 5 toneladas anuais de borracha nativa e movimentaram parcerias de compra.

Em intenso vaivém, formigas saúva carregam pedaços de folhas para o alto da árvore, algo a ser estudado pela ciência (Foto Montezuma Cruz)

Os donos de RPPNs

Segundo o Sistema Informatizado de Monitoramento do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), são estas as RPPNs no estado: Fazenda Bosco (499,72ha), de Lídia Nara Altoé, em Alto Alegre dos Parecis;

Água Boa (47,52ha), de Nério Lourenço Bianchini, em Cacoal; Parque Natural

Leonildo Ferreira 2 (981,18ha), de Leonildo Ferreira, em Pimenta Bueno;

Parque Natural Leonildo Ferreira 1 (995,48ha), do mesmo proprietário, em Pimenta; RPPN Frigonosso (558,06ha), em Porto Velho;

RPPN Seringal Assunção (634,24ha), do Instituto de Pesquisa e Estudo Dr. Ary Tupinambá Penna Pinheiro (Ipary), em Porto Velho;

RPPN Gibeão (31,29ha), de Deneton Vitorino da Silva, em Presidente Médici;

RPPN Irmãos Satelis (41,09ha de Reginaldo de Brito Satelis, Ronaldo de Brito Satelis, Renato de Brito Satelis, Rosely de Brito Satelis de Souza, Francisca de Brito Satelis, em Presidente Médici;

RPPN Nova Aurora (18,52ha), de Wilson Luiz Perboni, em Presidente Médici;

RPPN Amaná (65,66ha), de Glauco Antônio Alves, em Teixeirópolis.
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Foto na abertura da matéria:
Técnicos concluem o inventário florestal na Resexdo Cautário, em 2020 (Foto Frank Néry)
Outra imagem da Resex do Cautário (Frank Néry?

Floresta da Comunidade Canindé, no Cautário, em Costa Marques, na fronteira Brasil-Bolívia


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