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segunda-feira 25 outubro 2021

Em cores e preto e branco, uma Rondônia que muita gente não viu

Repórter fotográfico e professor Kim-Ir-Sen Pires Leal publicará livro com imagens inéditas do extinto território federal e do estado

Kim-Ir-Sen Pires Leal

PORTO VELHO E GOIÂNIA –  Imagens da chegada de migrantes, aldeias indígenas, rios, morros, becos, ruas e avenidas de cidades, transporte rodoviário, produção agrícola e outras compõem o futuro livro do repórter fotográfico Kim-Ir-Sen Pires Leal, que teve a sorte de visitar Rondônia entre 1976 e 1986, em diferentes oportunidades.

Kim, atualmente morando em Goiânia, decidiu revisitar seu baú de slides, descobrindo pedaços da história ainda pouco conhecidos pelas novas gerações. “Venho salvando o que posso”, ele me disse. No momento, o autor busca recursos financeiros para imprimir o livro.

“Qualidade e raridades ele terá, mas sem dinheiro pode demorar mais tempo a ser publicado”, afirmou demonstrando vontade de concluir logo essa missão.

Migrantes pomeranos chegam a Espigão do Oeste, em 1978

Mesmo assim, o esforço do profissional resultou na recuperação de milhares de fotos, das quais ele já selecionou mais de duzentas. Elas impressionam, porque revelam realmente o período da epopeia da chamada colonização de Rondônia. Este repórter se sente prestigiado pelo convite do Kim para auxiliar na seleção dos assuntos.

Kim é daqueles  profissionais persistentes: certa vez perdeu o emprego no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) porque decidiu acompanhar todo o velório de um líder Xavante, que durou um mês numa aldeia em Mato Grosso.

Sócio proprietário da extinta Ágil Fotojornalismo, que durante os anos 1980 foi uma das excelências na fotografia em jornais e revistas em Brasília, ele amargou o fim da agência destruída por um incêndio criminoso no qual perdeu grande parte do patrimônio. Milhares de negativos estavam lá e foram queimados.

Noivos esperam a vez para casar: Pimenta Bueno, em 1978

“Todos que fomos “ágeis” fazemos constar com orgulho em nossos currículos a participação na Agência Ágil. Porque foi mais que uma associação entre fotógrafos. Ela participou da construção da democracia no País”, escreve Leila Jinkings neste blog.

Ela escreve a respeito da saudosa agência: “Kim Ir Sem, o galeguinho, era um fotógrafo já renomado. Tinha (tem) um belo trabalho de pesquisa e produção da Fotografia. Ele foi incrível, me deu todo o apoio. Logo na primeira aula ele se entusiasmou com a minha fotografia e me incentivou e incentiva até hoje (hoje, é para eu voltar à fotografia)”.

Acrescentando: “Kim permitia que eu usasse o laboratório sempre que precisava. Bom, mas, até esse ponto, meu destino já tinha cruzado com dois futuros fundadores da Ágil Fotojornalismo: Milton Guran e Kim Ir Sen. Eles fundaram a Ágil, mas só chamaram profissionais, evidentemente. Havia muita gente boa. André Dusek, Beth Cruz, Rolnan Pimenta, Salomon Cytrynowicz, Luís Humberto, Waldir Pina, Mailena, o Rui Faquini, Juan Pratiginestos, Varella e outros”.

Esse Kim deixou um patrimônio imensurável cujo interesse maior deve ser daqueles que ainda têm a intenção de mostrar a nossa história aos jovens e a nós mesmos. Que o Governo de Rondônia, via Superintendência Estadual de Juventude, Cultura, Esportes e Lazer (Sejucel), Fundação Cultural do Estado de Rondônia (Funcer), Fundação Cultural do Município, e empresas dispostas a investir em cultura, proporcionem o direito de a população deste estado enxergar o passado em fotos maravilhosas.

Assim seja. Merecemos.

MONTEZUMA CRUZ
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Rondônia, na lente de Kim:

A vovó nordestina e a netinha, em 1978

Rolim de Moura: Eucatur dá seus primeiros passos na Zona da Mata

Aldeia Arara-Gavião Rondônia em1987, no interior do município de Ji-Paraná

Machadinho d’Oeste, 1986: queimada

Principal avenida de Jaru, em 1982: poeira bem visível 

Câmara Municipal de Porto Velho, na Avenida Comendador Centeno. Prédio demolido e reconstruído.

Em 1982, no chão batido, a escola com mesas e bancos toscos era o que havia para os alunos rurais

1982 – Casal caminha com a filha em Machadinho d’Oeste

Mãe e filha Paíter Suruí, no Posto Indígena 7 de Setembro, interior de Cacoal

Cine Brasil e loja Resky, num domingo chuvoso, em 1982

1979 – mãe e filhas caminham, carregando água para casa

Tradicional casa no bairro Triângulo, em Porto Velho – 1983

Ji-Paraná, em 1987: nuvens brancas e ruas poeirentas

Dentro do ônibus, a expectativa da chegada ao território que chamavam de Eldorado

Casal passeia com filhos em Presidente Médici – 1978

Porto Velho, 1978: caboclinha mira a lente com sublime olhar

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