
PORTO VELHO – A generosidade não é sentimento completamente isento da sociedade brasileira. Raramente, porém, ela vem acompanhada do desprendimento e do espírito de sacrifício que a torna uma verdadeira virtude. Quando se trata de ser generoso usando recursos de terceiros, não há um só político que titubeie em fazê-lo, principalmente se o dinheiro usado pertence a uma entidade abstrata chamada pelo nome de coletividade.
Prova disso pode ser observada na conduta de deputados estaduais de Rondônia. Em janeiro deste ano, a Assembleia Legislativa autorizou o perdão de uma dívida milionária do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de uma grande empresa.

A medida causou polêmica e revolta popular, contudo, quem realmente deveria ter feito barulho permaneceu em silêncio absoluto, fechou-se em casulo, numa atitude que pode ser interpretada como medo ou total submissão. Julguei que o município de Porto Velho fosse entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI), uma vez que tem direito a 25% de toda a arrecadação de ICMS realizada pelo estado. Não sei se o fez, ou se resolveu deixar o barco da generosidade financeira seguir seu curso.
Enquanto isso, pessoas continuam morrendo nas filas dos hospitais públicos por falta de médicos, remédios e equipamentos, como aconteceu recentemente no interior do estado de Rondônia, onde uma criança de três anos morreu por falta de uma UTI pediátrica. E o pior é que ainda tem pessoas que acham isso a coisa mais natural do mundo, visto que insistem em votar nos mesmos mentirosos.
Há quem diga, contudo, que a prática é antiga, provavelmente para tentar justificar a mamata fiscal. Se – como de hábito nesta República – nada acontecer que reponha o respeito no trato do bem comum, pelo menos os eleitores de Rondônia tomaram conhecimento dos que, dizendo-se representantes do povo, usam seu mandato para conceder generosidades com o dinheiro dos pagadores de impostos.
*É servidor público aposentado e analista político









