O Departamento de Justiça dos Estados Unidos decidiu encerrar a investigação sobre os custos das reformas na sede do Federal Reserve (Fed), sob a gestão de Jerome Powell.
A decisão, anunciada nesta sexta-feira (24) pela procuradora federal Jeanine Pirro, remove um dos principais entraves à confirmação de Kevin Warsh para o comando do banco central.
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“O Inspetor-Geral tem autoridade para responsabilizar o Federal Reserve perante os contribuintes americanos”, afirmou Pirro em publicação nas redes sociais. “Espero um relatório abrangente em breve e estou confiante de que o resultado ajudará a resolver, de uma vez por todas, as questões que levaram este gabinete a emitir intimações.”
De acordo com a procuradora, o caso será agora encaminhado ao Escritório do Inspetor-Geral do Fed, órgão responsável pela fiscalização interna da instituição, que ficará encarregado de analisar eventuais irregularidades nos custos da obra.
A investigação criminal contra Powell havia atrasado o avanço da indicação de Warsh no Senado.
O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, chegou a prometer bloquear todas as nomeações para o Fed enquanto o inquérito não fosse encerrado, classificando-o como infundado.
Powell foi investigado por suspeita de mentir ao Congresso sobre os custos e características da reforma da sede do Fed — especialmente após o projeto ficar mais caro do que o previsto —, embora nenhuma acusação formal tenha sido apresentada.
Na ocasião, ele minimizou os custos excessivos relacionados à reforma e a recursos de luxo, incluindo terraços e jardins na cobertura, pisos de mármore e coleções de arte particulares.
O episódio levou ao questionamento de Parlamentares, e a republicana Anna Paulina Luna pediu ao Departamento de Justiça apuração por suposto perjúrio.
Powell nega irregularidades e afirma que a investigação é uma “ameaça” ligada à pressão política sobre os juros. A Casa Branca e Donald Trump também negam envolvimento.
Investigação acirrou disputa entre Powell e Trump
A investigação do Departamento de Justiça americano é um dos episódios dos sucessivos embates entre o presidente dos EUA e o presidente do banco central americano em torno da política de juros.
Trump defende cortes mais rápidos nos juros para estimular a economia, enquanto Powell tem adotado uma postura cautelosa, mantendo as taxas elevadas para conter a inflação.
Nos últimos meses, as críticas do presidente ao chefe do banco central se intensificaram, saindo do campo técnico e avançando para ataques diretos.
Em março, Trump afirmou que o banco central estaria “muito melhor” se reduzisse as taxas, e voltou a defender cortes em abril, ao anunciar novas tarifas de importação.
Em julho, após a manutenção dos juros, ele intensificou o tom e chegou a chamar o presidente do Fed de “estúpido” e “cabeça oca”, dizendo que a política monetária estava prejudicando a população.
Paralelamente, o governo apoiou a abertura da investigação sobre os gastos na reforma da sede do Fed — movimento que Powell classificou como uma forma de pressão política e uma ameaça à independência da instituição.
O caso também enfrentou obstáculos judiciais. Um juiz federal chegou a barrar intimações contra o conselho do Fed, apontando que elas tinham como objetivo pressionar Powell a reduzir os juros ou deixar o cargo.
Além disso, Trump tentou ampliar sua influência dentro da autoridade monetária ao mirar outros integrantes. Um dos episódios mais relevantes foi a tentativa de destituir a diretora Lisa Cook, sob acusação de fraude hipotecária.
A medida foi bloqueada pela Justiça e acabou levada à Suprema Corte, em um processo que pode redefinir os limites de interferência do Executivo no banco central.
Ao mesmo tempo, o presidente avançou na estratégia de remodelar a cúpula do Fed com nomes alinhados à sua visão econômica. Em janeiro, anunciou a indicação de Kevin Warsh para presidir a instituição — escolha vista como parte de um esforço para influenciar a condução da política de juros.
Na semana passada, a pressão atingiu o ápice com ameaças públicas de Trump de demitir Powell caso ele não deixe o cargo após a eventual confirmação de seu indicado.
Trump também disse acreditar que as taxas de juros poderão cair quando Warsh assumir o cargo.
*Reportagem em atualização
Fonte: Reuters









