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quinta-feira 16 setembro 2021

Complexo turístico de Santo Antônio está às moscas; exceto o Museu Rondon, que tem militares da Brigada

No importante ponto turístico de Porto Velho, há muitas histórias para serem contadas, mas sem ninguém para isso

PORTO VELHO – Em qualquer conversa sobre pontos turísticos de Porto Velho, três locais da capital rondoniense logo aparecem: a Estrada de Ferro, a Praça das Caixas d’Água – erroneamente citada até por historiadores como “Praça das Três Marias”, e “A Cidade que não existe mais” (*), retratada no livro de autoria de Júlio Olivar, que retrata a cidade de Santo Antônio.

Apesar de ser a cidade que não existe mais, graças ao poio da hidrelétrica de Santo Antônio, é possível citar que há muitas histórias para serem contadas do povoado, fundado no século XVII pelo religioso João Sam Payo. O local é sem dúvida um atração a quem visita Porto Velho.

Problema é que no local inexiste qualquer apoio a quem vai ali, muitos turistas, estudantes ou simples visitantes.

Atendimento mesmo só no Museu Rondon, e isso graças à presença de militares da 17ª Brigada, que recebem, contam histórias e até fiscalizam para que visitantes mais afoitos não rasurem fotos, painéis e outras peças de valor histórico que fazem parte do acervo.

Mas a facilidade para “viajar na história” naquela área, a sete quilômetros de Porto Velho por uma estrada cheia de curvas, com a pista asfáltica muito ruim, praticamente termina depois da visita ao memorial em homenagem ao patrono do Estado.

Seguindo o roteiro que havia quando se podia visitar a área da estação da ferrovia Madeira-Mamoré, o que se espera a partir da inauguração das obras que se arrastam no pátio ferroviário. Em Santo Antônio também não há guia turístico e o turista tem de fazer uma espécie de voo cego sobre os restos daquele pequeno vilarejo que deu origem a Porto Velho que vivemos hoje.

Na “Cidade que não existe mais” pelo menos placas colocadas durante a revitalização realizada pela hidrelétrica Santo Antônio permitem, caso o visitante tenha alguma noção da história, um conhecimento um pouco melhor, mas isso não é suficiente.

As placas “falam” de casos históricos, mas a falta de uma estrutura mínima para o turista conhecer melhor o local que deu início ao que hoje é Rondônia acaba deixando o visitante em dúvida. Por exemplo: até quando começaram a construir a hidrelétrica havia uma ilha onde agora existe a hidrelétrica, mas não há indicativo disso no local.

O QUE VER

Memorial Rondon, com fotos, painéis, muita informação sobre o Marechal patrono do Estado e suas andanças pela região, incluindo as ações em que representou o Brasil Para dirimir dúvidas litigiosas.

O museu funciona de terça a domingo desde as 9 horas.

Igreja de Santo Antônio de Pádua, tida como primeiro templo religioso em Rondônia, em cujo interior há fotos da cidade de Santo Antônio no período anterior a 1920. A igrejinha faz parte da paróquia de Nossa Senhora de Fátima e só realiza celebrações aos domingos, sendo que nos dias de semana é difícil haver alguém com a chave para abrir ao visitante.

Marco limítrofe, separando as terras dos Estados do Amazonas e Mato Grosso – de cujo Estado o município de Santo Antônio fazia parte até 1943, quando foi incorporado ao Território Federal do Guaporé, também são encontrados no complexo.

A presença de um ou dois guias turísticos preparados, de plantão em Santo Antônio para falar sobre a importância histórica do local, deixaria o local muito mais atrativo.

Uma placa identifica que Mário de Andrade esteve naquela cidade, e escreveu ‘O turista Aprendiz’, citando sua estada no local. Mário de Andrade foi um dos organizadores da Semana da Arte Moderna, em 1922.

Há um mirante, localizado ao lado da igreja, com vista para a hidrelétrica de Samuel.

Marco do centenário, no local foi colocada uma placa com os nomes do superintendente (prefeito) e dos intendentes (vereadores), comemorativa ao centenário da Independência brasileira.

Na área do marco do centenário, há pequenas construções chamadas “Oratórios” por alguns, havendo duas versões mais comuns a respeito, uma delas que teriam sido construídas por famílias moradoras do local e, a outra, que seriam para uso por adeptos da religião umbanda.

A ilha de Santo Antônio, que foi destruída para a construção da hidrelétrica, funcionou como um dos primeiros presídio de Rondônia, mas é praticamente descartada a possibilidade de obter informação de que ali teria servido de local para prisão política no período logo posterior a 1964.

(*) Autoria de Júlio Olivar, também autor de  “O Mistério do Cônsul”, “Ruas que Andei”; “O Notívago” primeiro e único livro de poesia, “Caminhos de Rondon” e a  biografia de Vespasiano Ramos

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