Comando-geral da Polícia Militar cria dois novos batalhões mesmo com falta de efetivo

Segundo conversas do Expressão Rondônia com alguns oficiais de alta patente da Polícia Militar de Rondônia, eles afirmam que faltam quase 3.700 policiais nas ruas do estado, além das dificuldades da falta de efetivo.

E a população reclama que falta mais presença das forças de segurança pública nas ruas, especialmente na cidade mais populosa do estado, que é Porto Velho, com assassinatos à qualquer hora do dia, assaltos e outros crimes que assustam a todos.

O último concurso para preencher vagas, segundo estes oficiais, ainda foi feito na administração Confúcio Moura, em 2019, onde foram contratados apenas 400 soldados. São cinco anos acumulando saídas, licenças médicas e aposentadorias. E o efetivo só cai.

De acordo com eles, agora a situação pode ficar mais complicada, com a criação de dois batalhões: Batalhão de Policiamento Tático de Ação e Reação ao Crime Organizado (BPTAR) e o Batalhão de Policiamento de Enfrentamento à Violência Doméstica (BPVID).

“De onde que eles criaram um novo batalhão? Infelizmente, desmobilizaram outros batalhões. Já não tem policiais e ainda desestruturam, retiram policiais que estão em falta. Antes de criar um novo batalhão, deveriam sim era promover concurso público. Como a imprensa já divulgou, tem um déficit de quase 3.700 soldados”, disse um oficial.

Ele completa: “Criaram o BPTAR e o BPVID é só ficção, só no papel, porque na realidade dos batalhões não vai existir. Existe um quantitativo mínimo para criação de um batalhão. São 360 policiais militares por batalhão. É só ver o QO, que é o quadro organizacional, do BPTAR e do BPVID”.

Um segundo oficial ainda vai além, com a retirada de soldados de outros departamentos da própria PM:

“Todos os batalhões foram atingidos com essa medida: tiraram PMs do BPA [Batalhão de Polícia Ambiental], do BPFron [Batalhão de Polícia da Fronteira], do BOPE [Batalhão de Operações Especiais], do Choque, dos batalhões operacionais, do 5º, do 6º, do 1º, do 9º, do Trânsito. Só não foi retirado policiais do batalhão do CPA [hoje Palácio Rio Madeira] nem do CP”, pontuou ele.

Alegações

Sobre o BPTAR, o comandante-geral Régis Braguin, disse que o exemplo para criação deste Batalhão é da Polícia de São Paulo, com a Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar – ROTA, que é o berço desse tipo de policiamento.

E a Rotam, em Goiás que são as modalidades de policiamento voltadas hoje para este enfrentamento.

 

Comandante-geral Régis Braguin explica motivo da criação de dois novos batalhões em Rondônia – Foto: Divulgação/PM-RO

“Nós fizemos esse diagnóstico e entendemos que agora, de acordo com a incidência criminal que tem passado nos últimos meses aqui em Rondônia, principalmente em Porto Velho, há necessidade de que se crie esse Batalhão e tenha essa mesma modalidade e que tenha um contingente mais específico para o combate as facções criminosas que estão assolando nosso estado”, diz ele.

Em um momento anterior, ele falou sobre a criação do BPVID:

“As ações da Patrulha Maria da Penha refletem o compromisso do nosso Comando em enfrentar um tema tão sensível, que tem a Polícia Militar atuando na linha de frente na defesa das vítimas de violência doméstica”.

Braguin segue explicando: “Um exemplo disso, é o lançamento do embrião do Batalhão de Policiamento de Enfrentamento à Violência Doméstica – BPVID, tornando todas patrulhas Maria da Penha dos batalhões da capital – que hoje realizam um excelente trabalho – reunidas para atuação exclusiva para fiscalização das medidas protetivas de urgência na capital, Porto Velho”.


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