Câmara de Vereadores de Porto Velho estaria enfrentado uma crise de quê? – Valdemir Caldas*

A porteira que antes dava acesso fácil a cargos de direção, chefia e assessoramento no governo anterior, agora, estaria sendo monitorada vinte e quatro horas por alguém de confiança do dirigente municipal

Valdemir Caldas*

PORTO VELHO – Tenho ouvido de alguns que a câmara municipal de Porto Velho estaria vivendo uma crise jamais vista em sua história. À primeira vista, julguei tratar-se de escassez de recursos, hipótese essa, aliás, logo descartada, após acessar o Portal da Transparência. A câmara pode ter muitos motivos para reclamar, menos de grana. É impressionante o volume de dinheiro que o poder legislativo recebe, mensalmente, do executivo municipal, o chamado duodécimo, cuja importância deve ser depositada na conta da câmara, até o dia 20 de cada mês, implicando em crime de responsabilidade o atraso ou repasse a menor, para manter uma estrutura organizacional tão pequena.

Segundo informou um servidor da Casa, a crise existe, porém, a razão não seria de natureza financeira, mas, sim, por mais espaços para acomodar indicações de políticos. Ele disse, ainda, que o presidente Gedeão Negreiros estaria fazendo das tripas coração para tentar conter os mais exaltados por nacos de poder. Isso porque as repartições da câmara estariam empilhadas de comissionados e, destarte, não haveria lugar para abrigar mais ninguém.

A opção seria correr para a administração municipal. Ocorre que, na prefeitura, a situação também não estaria nada fácil. Léo Moraes se elegeu praticamente sozinho. Não contou com a ajuda de nenhum dos atuais vereadores, que apoiaram Mariana Carvalho, candidata do governador de Rondônia, cel. Marcos Rocha, e do então prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves.

A porteira que antes dava acesso fácil a cargos de direção, chefia e assessoramento no governo anterior, agora, estaria sendo monitorada vinte e quatro horas por alguém de confiança do dirigente municipal, que teria a missão de controlar, rigorosamente, a entrada, a saída e o nome de quem indicou o aspirante ao posto.

*É servidor público aposentado e analista político


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