PORTO VELHO – O fortalecimento das relações comerciais, a superação de barreiras infraestruturais e a consolidação de corredores logísticos estratégicos foram os temas centrais do Seminário sobre Oportunidades Comerciais e Logísticas Peru – Brasil, sediado na Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero), nesta terça-feira, 23. Na ocasião, o presidente da federação, Marcelo Thomé, recebeu o vice-ministro de Comércio Exterior do Peru, César Augusto Llona Silva, para dialogar sobre a ampliação de mercado e as conexões logísticas com a região.
A visita da comitiva andina integra a Missão Comercial e Logística Brasil – Peru, evento promovido pela consultoria de comércio internacional Interfrazão, com o apoio institucional do Ministério de Comércio Exterior e Turismo do Peru (Mincetur). O encontro reuniu autoridades regionais e empresários rondonienses interessados em estreitar os laços com o mercado peruano, com o qual Rondônia já mantém um histórico consolidado de balança comercial positiva e superavitária nos últimos cinco anos.

Durante sua fala, Thomé, pontuou sobre a urgência de converter a proximidade geográfica entre os territórios em uma integração econômica e logística efetiva, capaz de gerar benefícios mútuos e destravar o potencial das duas nações a partir da faixa de fronteira.
“Eu tenho muita expectativa de que, de fato, essa integração ocorra e a gente, definitivamente, revogue o Tratado de Tordesilhas, que nos separou há séculos atrás e que, em certa medida, parece ainda ter efeitos no tempo presente. Isso se reflete na medida em que não temos uma logística integrada, não temos integração de infraestrutura e não temos as economias integradas a partir da fronteira, mas sim a partir das costas do Atlântico e do Pacífico. Isso não faz nenhum sentido já que estamos aqui, um do lado do outro”, pontuou Thomé.
O presidente ressaltou que a classe industrial e o empresariado de Rondônia têm total interesse em acessar os portos peruanos para alcançar os mercados asiáticos estratégicos, como o porto de Xangai, utilizando a Rodovia Interoceânica como rota prioritária de escoamento econômico, beneficiando tanto o comércio de produtos quanto o turismo.
Por sua vez, o vice-ministro peruano, apresentou dados que demonstram a viabilidade e a competitividade logística do corredor rodoviário. O diplomata pontuou que o volume comercial atual entre os dois parceiros ainda representa menos da metade do que o Peru transaciona com blocos tradicionais como a União Europeia ou os Estados Unidos, o que sinaliza um vasto campo para expansão de mercado.
Com bom humor, o vice-ministro recorreu a uma metáfora cinematográfica, citando o ator Kevin Bacon e a famosa teoria dos “seis graus de separação” (que defende que todos estão a poucos laços de distância), para ilustrar o desafio diplomático entre Rondônia e o Peru.
“Acredito que há um desafio de longa data que já começam a nos apontar de maneira eficiente: o de vencer o distanciamento. Há pouco falávamos sobre aquele antigo filme do Kevin Bacon sobre os graus de separação que nos dividem, e o nosso desafio é encurtar esses laços. Temos um espaço de parceria muito interessante aqui e a oportunidade real de transformar a integração física em uma verdadeira integração econômica, desde que mantenhamos a vontade política”, disse vice-ministro.
Para a Fiero, encontros e seminários bilaterais cumprem o papel fundamental de mapear os gargalos alfandegários e estruturais existentes para que, por meio do compromisso e do trabalho mútuo entre empresariado e governos, as barreiras venham a ser superadas em definitivo.
Fonte: Assessoria de Imprensa Fiero









