PORTO VELHO – Botôto se deixa no chão empurrando o globo terrestre e faz um discurso ambiental. Com essa introdução, ele abre a sua exposição denominada Manteiga de garrafa, uma crítica ao poder aquisitivo e que evidencia o impacto social na conscientização sobre a utilização do lixo. “O que eu tenho que comprar, enquanto o lixo me oferece?” – ele indaga.
A exposição aberta nesta segunda-feira no Centro de Cultura e Documentação Histórica (CCDH) do Tribunal de Justiça de Rondônia irá até o próximo dia 3 de novembro.
“A arte em si traz alegria e felicidade. O mundo sem arte é um mundo doente, um mundo sem cores um mundo cinzento que deixa a desejar às pessoas; a arte não, ela chega, colore toda a cidade, deixa a gente feliz e nos dá a oportunidade de sobreviver através das cores”, proclamou o artista.
Na simplicidade, ele homenageia outros artistas porto-velhenses
Ao passar um período internado no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ele recebeu tratamento de cromoterapia, percebendo as cores e sua importância. “Eu sobrevivi através das cores, elas me curaram; são iguais ao copo d’água que mata a nossa sede.”
Cromoterapia é um tipo de terapia complementar, que utiliza ondas emitidas pelas cores para atuar em células do nosso organismo e melhorar o equilíbrio entre o corpo e mente.
O piauiense e rondoniense por adoção Júlio César Pinto de Oliveira diz que herdou a veia artística do pai quando estudou artes industriais, Técnicas de Arte e Educação Artística no Colégio Polivalente em Altamira (PA).
“Muitas pessoas chegaram a enxergar Porto Velho apenas uma cidade sofrida pela violência de assassinatos e o cinzento das queimadas visto durante a longa estiagem, mas eu lhes mostrei outra cidade, cheia de cores”, disse Botôto.
E o lixo com o qual trabalha, conforme a visão dele, “transforma o belo em um compromisso com o meio ambiente e a vida.”

Na abertura do evento, ele saudou “o mestre dos pincéis” João Orlando Freitas Zoghbi, artista plástico há mais de 50 anos em Porto Velho.
Botôto acompanhou e cantou junto a música “Azul da cor do mar”, de Tim Maia, e imaginou o “azul do Rio Madeira.”
Um compromisso com o meio ambiente e a vida
MONTEZUMA CRUZ Texto, fotos e vídeos
O Centro de Cultura e Documentação Histórica (CCDH) fica na Avenida Rogério Weber nº 2396, em frente à Praça das Caixas-d’Água.
Algumas obras de Botôto expostos no CCDH ?











