PORTO VELHO – Em Rio Branco, Acre, 26,6% dos adultos relataram ter recebido diagnóstico médico de hipertensão arterial em 2024, segundo dados do Vigitel, do Ministério da Saúde. O mesmo levantamento apontou que 48,5% dos adultos apresentaram prática insuficiente de atividade física, considerando quem não alcança pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa.
Diante desse cenário, uma dúvida comum é se quem tem pressão alta precisa evitar a academia e os exercícios de força. A resposta é não. Pessoas com hipertensão podem fazer musculação, desde que a pressão esteja controlada, o treinamento seja adequado às condições de saúde e haja orientação profissional.

Segundo a cardiologista e professora da Afya Cruzeiro do Sul, doutora Joseane Tonussi, a musculação pode fazer parte da rotina de pessoas com hipertensão. “Ter pressão alta não significa que a pessoa precise abandonar a musculação. O exercício pode fazer parte da rotina, mas é importante conhecer as próprias condições de saúde, controlar a pressão e ter orientação para definir a intensidade, a carga e a progressão do treinamento.”
Musculação pode contribuir para o controle da pressão
Uma meta-análise publicada em 2025, que reuniu 14 estudos clínicos e 676 pessoas com hipertensão (PubMed Central (PMC)), encontrou redução média de 8,61 mmHg na pressão sistólica e 4,57 mmHg na diastólica entre os participantes submetidos ao treinamento de resistência. Os autores, porém, apontam diferenças importantes entre os estudos, o que significa que os resultados não podem ser considerados uma redução garantida para todas as pessoas.
O cuidado começa pela respiração
Um dos principais erros durante a musculação é prender a respiração ao fazer força. A chamada manobra de Valsalva pode provocar elevações momentâneas importantes da pressão arterial. Por isso, é importante manter a respiração adequada e evitar cargas ou intensidades incompatíveis com o condicionamento individual.
A carga também deve ser individualizada. Quem está começando ou voltando a treinar deve evoluir gradualmente, considerando o condicionamento físico, o controle da pressão e outras condições de saúde.
Musculação pode ser combinada com caminhada
O treinamento de força não precisa substituir outras atividades. O Ministério da Saúde recomenda, para adultos, pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular e ósseo em pelo menos dois dias da semana.
Para quem está há muito tempo parado, a orientação é começar de forma gradual, com atividades leves e progressão ao longo do tempo. Pessoas com doenças cardiovasculares ou outras condições preexistentes devem conversar com um profissional de saúde antes de iniciar um novo programa de exercícios.
Tratamento continua mesmo com a prática de exercícios
A atividade física faz parte do cuidado, mas não substitui o tratamento prescrito. Quem utiliza medicamentos para hipertensão não deve interromper ou alterar as doses por conta própria.
A prevenção também envolve acompanhamento regular. “A prevenção não deve acontecer apenas quando aparece um sintoma. Acompanhar a pressão, fazer avaliações periódicas e manter uma rotina de atividade física são atitudes importantes para cuidar do coração ao longo da vida”, reforça a cardiologista.
Fonte: Assessoria Afya www.expressaorondonia.com.br






