
PORTO VELHO – Aos poucos, senhoras e senhores maiores de 60 anos estão ocupando um importante espaço nas academias e estúdios de pilates, onde trabalham corpo e mente em busca de maior longevidade e de uma velhice saudável e tranquila. Saudáveis e autônomos, pode-se resumir a busca destes protagonistas da terceira idade. Atividades físicas como o pilates e a musculação são muito importantes a partir dos 60 anos porque serão responsáveis pela independência de cada um. Além disso, com a prática contínua, os idosos alcançam densidade óssea com qualidade e a garantia de massa muscular, explica a personal trainer Neire de Oliveira.

Com o passar dos anos é comum a perda de massa muscular, que em geral leva a atrofia, a fraqueza e pode comprometer toda a mobilidade corporal do idoso. E tudo que um idoso precisa é ter segurança, equilíbrio e firmeza para garantir o seu ir e vir.
Mas engana-se quem pensa que fazer caminhada, levantar peso, exercitar todo o corpo é suficiente para uma vida longa e saudável. A reposição hormonal, de vitaminas e de minerais também são aliados importantes na batalha contra o envelhecimento e neste caso o acompanhamento de um profissional da área de saúde é essencial. Driblar a velhice no Brasil não é uma coisa muito fácil. Mas vale a pena o esforço. E se não der para fazer tudo, comecemos pela parte mais fácil: a atividade física.

As pessoas estão se conscientizando que para ter um melhor desempenho na vida, tanto nas atividades diárias quanto para ser funcional, é preciso um certo preparo e por isso estão buscando as academias. Além disso, destaca o personal trainer Thales Sued, que a academia acaba sendo um ambiente de socialização em especial para as pessoas com mais idade.
Mulheres de todas as idades têm marcado presença nas academias, sempre em maior número que os homens. As mais velhas também estão lá, respondendo por importante fatia das vagas. Há dez anos talvez, mulheres com mais de 60 anos se conformavam em permanecer em casa sempre a disposição de preparar um pratinho especial para filhos e netos. Muitas ainda fazem isso, mas mulheres como Zeneide, Zenaide e Neire preferem agradar filhos e netos esbanjando saúde e disposição.
Zeneide Prado, a Zê, tem 73 anos, além da musculação pratica kickboxing, uma arte marcial praticada de pé. Ela diz que não tem interesse em competir, mas treina com muita seriedade, porque seu objetivo é aprender e aperfeiçoar técnicas de autodefesa. Sofreu uma contusão no joelho, passou por cirurgia e está na fase do fortalecimento para voltar ao tatame. Antes de aceitar o desafio do kickboxing, Zeneide era apenas a avó que levava os netos para o treino de judô. Resultado, eles saíram e ela continuou. A idade física não condiz com a idade mental. “Não me sinto com mais de 70 anos, pelo contrário meus pensamentos são compatíveis com uma pessoa bem mais jovem”, confessa. Estar na academia diariamente é uma das principais atividades. Procura atender todas as orientações do personal, sempre pensando em evoluir com novos exercícios. 
Zenaide da Silva Costa, de 83 anos é uma empresária aposentada. Recentemente sofreu um acidente e precisou se afastar das atividades físicas. Passou por uma cirurgia e está ainda nas sessões de fisioterapia e autorizada pelo médico voltou para os aparelhos de musculação e do pilates. Destaca que é muito importante manter a atividade do corpo, pois assim mantém a estabilidade e até na ocorrência de um acidente tem como se recuperar mais rapidamente, como foi o seu caso. Com tranquilidade, ela continua dirigir pelas ruas da cidade, inclusive indo à academia.
Neire de Oliveira escolheu se exercitar desde muito cedo. Aos 15 anos começou a praticar handebol e permaneceu nas quadras até os 37 anos. Mas aos 57 não resistiu ao chamado e voltou. Servidora pública aposentada buscou uma formação na Educação Física e hoje orienta vários alunos nos estranhos aparelhos de pilates e na musculação. Para ela, a prática de atividades físicas estão diretamente ligadas ao ser humano e sempre aconselha aqueles que estão a sua volta a se movimentarem e cuidarem bem da saúde para garantir uma velhice saudável e independente. E não fazê-lo, segundo ela, é como construir uma casa sem colunas, cedo ou tarde ela cairá, referindo-se a escassez de músculos que avança conforme a idade.

Idosos do sexo masculino ainda são poucos nas academias, mas estão chegando aos poucos. Mário Francisco de Oliveira, em alguns dias completará 89 anos. Entre as muitas atividades profissionais que exerceu ao longo da vida trabalhou com topografia e mediu muitas áreas em Porto Velho. Resolveu encarar o desafio da academia há cerca de três anos e desde então procura ser o mais assíduo possível aos treinos. Mário conta que chegou na academia de bengala, mas em seis meses de atividades recuperou os movimentos e voltou a andar livremente. Diz que o apoio da família é fundamental e isso não tem faltado para ele.
Vaidade
Mas ainda há pessoas que não compreenderam o valor da atividade física quer na juventude ou na velhice e pensam que o bem-estar físico é só uma questão de vaidade. E por vezes acusam familiares e amigos. Um antigo slogan de uma empresa de transportes dizia assim: “o mundo gira e Lusitana roda”. E é assim mesmo que funciona. O ser humano quer viver mais e para isso precisa ter saúde e isso só se consegue indo atrás. Atividades físicas, suplementação alimentar e reposição de hormônios e minerais são as ordenanças da vez. E como diz a professora Neire, a vaidade até vem, porque a pessoa recupera a autoestima e volta a se sentir bem consigo mesma e quem não se envaidece com resultados assim?
*É jornalista






