SÃO PAULO – Dois foram os grandes personagens da semifinal de ontem, entre Palmeiras e Fluminense. O primeiro, óbvio, o goleiro Carlos Miguel, que defendeu a cobrança de Nonato e encaminhou a classificação do time de Abel Ferreira à final da Libertadores. O segundo, o capitão e grande líder do Fluminense. Homem de quatro Copas do Mundo, Thiago Silva anunciou que foi a última Libertadores que disputou. Confirmou que em dezembro encerra sua carreira como jogador.
Abel Ferreira garante que não viu a decisão por pênaltis ontem. Se disse mesmo a verdade, tinha razão para fechar os olhos.
Com Weverton, o Palmeiras chegou a dez decisões por penalidades. Apesar de ser excelente goleiro, o time perdeu oito vezes. Só venceu duas, 20%, portanto.
Já com Carlos Miguel, a história é diferente.

Carlos Miguel ‘colando’. Na toalha havia os cantos preferidos dos cobradores do Fluminense. O de Nonato era o esquerdo. Daí a convicção do goleiro em pular e defender a cobrança – Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Foram duas decisões. A primeira contra a LDU, em Quito, pelas quartas de final desta Libertadores. Ele defendeu duas cobranças, foi fundamental na classificação para a semifinal.
E ontem, espalmando a cobrança de Nonato, encaminhou a ida do Palmeiras à decisão.
Muito celebrado pelos companheiros, o goleiro estava emocionado.
“Meu sentimento é de agradecimento a eles (companheiros). Há um ano, quando cheguei aqui, eu não tinha o mesmo sorriso. Voltei diferente, mais maduro, mas essa torcida me trouxe alegria.
“No CT, me trouxeram um profissionalismo que eu não tinha muito. Me colocaram para cima, me deram confiança para estar onde estou hoje.”
Nos corredores do Palestra Itália, o segredo está na maneira com que o goleiro, que brilhou no Corinthians, voltou da Inglaterra. Na reserva da reserva no Nottingham Forest, ele havia ficado deprimido. E chegou no Palmeiras acima do peso, desmotivado.
O treinador de goleiros, Rogério Godoy, Abel Ferreira, que pediu sua contratação, e, principalmente, os companheiros, entre eles o próprio Weverton, a quem sucederia, e o reserva Marcelo Lomba, o apoiaram.
Quanto à fórmula óbvia, escancarada, com que defendeu a penalidade de Nonato, uma cola com os cantos preferidos na hora das cobranças dos jogadores do Fluminense, escrita em uma folha enrolada em uma toalha, que deixava atrás do gol, Carlos Miguel se recusou a falar, o que os fotógrafos e os cinegrafistas flagraram.
“Sobre a minha estratégia, não conto para ninguém. Só tenho a agradecer. Conseguimos bater os pênaltis da melhor forma possível. Se não fosse por eles, eu não teria defendido. Quando chegou a minha vez, consegui fazer a defesa”.

O medo de Carlos Miguel é que um goleiro adversário resolva rasgar sua cola, em uma eventual nova decisão por pênaltis.
O goleiro, que foi tratado como herói, ontem se redimiu da falha infantil na primeira partida, em uma saída em falso, que resultou no gol de Wesley Natã, na vitória palmeirense por 2 a 1. O gol deu sobrevida ao Fluminense.
Se Carlos Miguel estava muito feliz, Thiago Silva estava emocionado por outro motivo.
Foi sua última Libertadores.
Aos 42 anos, encerrará sua carreira em dezembro.
Com 31 títulos na sua vitoriosa carreira, ele jamais venceu a competição sul-americana. Foi vice em 2008, quando o Fluminense perdeu o título no Maracanã para a LDU.
O jogador confirmou que esta foi a sua derradeira Libertadores, quando confessou que não só perdoou Nonato por perder o pênalti, como nunca mais disputará a mais importante competição da América do Sul.
“Eu falei para ele (Nonato): ‘Poderia ser eu, poderia ser o Arana. Mas que você se sinta orgulhoso, porque eu estou muito orgulhoso. Está doendo em você, mas está doendo em mim também, demais, porque é a minha última. Não vou jogar mais Libertadores, não jogo mais. Então, divide comigo’. Depois, ele me pediu desculpas, e eu falei que não precisava pedir desculpas. A gente não erra porque quer, faz parte do esporte.”
Diante da revelação, os repórteres ficaram surpresos e queriam mais detalhes do adeus de Thiago Silva ao futebol.
Ele tentou disfarçar o indisfarçável, frente à sua própria revelação.
“Sim (a carreira está no fim), não sei quando. Acho que não é o momento de falar isso, cabeça muito quente, mas está acabando.
“É tentar aproveitar da melhor maneira possível, desfrutar desses últimos momentos, não sei se vão ser os últimos jogos da carreira.”
Há o plano da direção do Fluminense de promover uma partida festiva, de ‘adeus’ a Thiago Silva, um dos grandes ídolos da história do time carioca.
Com a eliminação desta Libertadores, o zagueiro cometeu outro ato falho. Falou que o time tem de lutar neste final de Brasileiro. Para conseguir uma vaga para o próximo torneio sul-americano. Que será disputado ‘por outros jogadores’, avisa.

Thiago Silva revelou que esta foi sua última Libertadores. Vai encerrar carreira. Quer se tornar técnico – Foto: Marina Garcia/Fluminense
“Estou super orgulhoso de tudo que a gente fez, de tudo que a gente viveu. É tentar acabar o Brasileiro no G-4, porque vão vir outros profissionais para disputar essa Libertadores do ano que vem, e você só ganha se estiver disputando.
“O Fluminense tem mais de 120 anos, e essa foi a terceira semifinal da história. Eu joguei duas. Então, a partir do momento em que você começa a jogar todo ano, você vai ganhar de novo.
“O Palmeiras, acho que é a 13ª semifinal da história, vai batendo até ganhar. No confronto em si, acho que fomos melhores, mas o futebol tem essas situações também.”
Thiago Silva seguirá a carreira de treinador.
Ele foi um dos jogadores enganados por Mancuso, que vendia diplomas falsos da Federação dos Técnicos Argentinos…
Por: Cosme Rímoli Fonte: R7.com.br






