ONU alerta que a IA pode ser risco “existencial” para a humanidade, antes que seja tarde demais

"Estou aqui, hoje, apelando por um esforço total no sentido de implementar garantias inabaláveis ​​em relação à segurança da IA, antes que seja tarde demais"

GENEBRA (SUIÇA) – O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, alertou nesta segunda-feira, 7, que a inteligência artificial pode representar uma ameaça para a humanidade. Ele também prometeu pressionar as empresas de IA a reduzir os riscos, que, segundo seu gabinete, incluem interrupções em serviços, comunicações e sistemas democráticos.

Em um discurso proferido antes do início de seu segundo mandato, ele pediu “garantias inabaláveis” para proteger a inteligência artificial. No mesmo discurso, exigiu responsabilização pelas mortes sob custódia da imigração americana e condenou o suposto uso de drones autônomos pela Rússia.

O discurso foi o primeiro que ele fez perante o conselho de 47 membros desde que conquistou o mandato de quatro anos em julho, apesar da oposição de Moscou e Washington.

“Horror” com drones autônomos

“Compartilho das preocupações de especialistas do setor de que a IA avançada possa representar um risco existencial para a humanidade”, disse Turk à organização em Genebra.

“Estou aqui, hoje, apelando por um esforço total no sentido de implementar garantias inabaláveis ​​em relação à segurança da IA, antes que seja tarde demais”.

Turk não deu detalhes sobre a natureza dos riscos, mas um porta-voz de seu gabinete afirmou que falhas envolvendo sistemas de IA poderosos poderiam interromper infraestruturas críticas e instituições democráticas.

Ela se referiu aos “comportamentos perigosos de treinamento de agentes” no chamado incidente “Hugging Face” de julho, em que agentes da OpenAI invadiram uma plataforma de código aberto, dizendo que isso sugeria que as capacidades de IA de ponta estão avançando mais rápido do que as medidas de segurança.

Turk alertou que apenas um punhado de homens detém “poder quase ilimitado sobre a IA”, sem citar nomes. Entre as principais empresas de IA está a Meta, Anthropic, OpenAI e Google.

“No mínimo, precisamos que os países que hospedam IA e aqueles envolvidos em suas cadeias de suprimentos se unam em torno de linhas vermelhas acordadas”, disse ele.

O conselho está reunido até 7 de outubro para discutir a guerra com o Irã, o conflito civil no Sudão e uma série de outras crises. O governo Trump se retirou do conselho no ano passado, acusando-o de parcialidade anti-Israel.

Turk exigiu responsabilização por cerca de 23 mortes que, segundo ele, ocorreram sob custódia da imigração dos EUA este ano e acrescentou estar preocupado com os planos de equipar os agentes com luvas de choque elétrico.

O Departamento de Segurança Interna já declarou seu compromisso em garantir um ambiente “seguro, protegido e humano” nos centros de detenção. Seu inspetor-geral está investigando as mortes sob custódia ocorridas desde outubro de 2021.

O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na segunda-feira.

Turk condenou a Rússia pela intensificação dos ataques contra a Ucrânia e o Irã pelo crescente número de execuções.

Ele também expressou “horror” com as notícias de que a Rússia teria usado drones totalmente autônomos na Ucrânia, supostamente matando três pessoas em agosto.

“Junto-me aos apelos pela proibição urgente de armas que podem tirar vidas sem intervenção humana”, disse ele, referindo-se às negociações em Genebra. A Reuters não verificou de forma independente essas informações. A missão diplomática da Rússia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Com mais de 60 guerras em todo o mundo envolvendo pelo menos um Estado – o maior número desde a Segunda Guerra Mundial – Volker Turk apresentou ideias para promover a paz, prometendo maior fiscalização das empresas e dos interesses econômicos que alimentam os conflitos.

“Não hesitaremos em expor os atores ocultos e exigir responsabilização”, disse ele.

No final deste mês, o escritório de direitos humanos da ONU deverá publicar uma lista de empresas que operam em assentamentos israelenses na Cisjordânia, considerados ilegais pela organização internacional — acusação rejeitada por Israel.

Por: Emma Farge, da Reuters
Fonte: CNN Brasil


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