Ibama autoriza Petrobras a perfurar mais poços na foz do Amazonas

Medida representa um avanço nos esforços da empresa para produzir petróleo nessa área ambientalmente sensível

MACAPÁ (AP) – O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) autorizou a Petrobras a perfurar mais três novos poços exploratórios na Bacia da foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá, de acordo com um documento visto pela Reuters nesta sexta-feira, 4.

A medida representa um avanço nos esforços da empresa para produzir petróleo nessa área ambientalmente sensível na costa amazônica do Brasil, já que os novos poços são fundamentais para determinar se a recente descoberta de petróleo da Petrobras na região é comercialmente viável.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a descoberta de petróleo no mês passado. Ele viajou para o estado de Amapá, no norte do país, dias depois, para saudá-la como “um passaporte para o futuro deste país”.

Decisão exige que a Petrobras apresente um cronograma de perfuração atualizado em 30 dias – Foto: Divulgação/Petrobras – Arquivo

A autorização concedida pelo Ibama foi celebrada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que disse receber a notícia “com muita alegria”.

“É mais um passo importante para conhecermos a dimensão do potencial energético da nossa região e uma conquista que renova a esperança de um novo ciclo de oportunidades para o povo amapaense e para o nosso Brasil”, destacou o senador, em nota à imprensa divulgada nesta sexta. Alcolumbre é natural de Macapá, capital do Amapá.

O empenho da Petrobras em explorar a Bacia da foz do Amazonas, próxima à foz do rio Amazonas, gerou debate no governo de Lula, colocando as preocupações ambientais em contraponto ao argumento da empresa de que precisa reabastecer suas reservas.

Se a descoberta for comercialmente viável, a produção poderia começar dentro de sete anos, afirmou anteriormente a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

A Bacia de foz do Amazonas é geologicamente semelhante aos blocos na Guiana, onde a ExxonMobil está desenvolvendo enormes campos de petróleo. A área faz parte da Margem Equatorial do Brasil, que a Petrobras considera sua fronteira de exploração mais promissora.

A decisão do Ibama, assinada nesta quinta-feira pelo diretor-geral da agência, Jair Schmitt, exige que a Petrobras apresente um cronograma de perfuração atualizado no prazo de 30 dias após o recebimento da licença.

O documento também estabelece condições para que a Petrobras mantenha a licença, incluindo a atualização da análise de riscos ambientais do projeto.

No início deste ano, houve vazamento de fluido durante a perfuração do primeiro poço, o que gerou preocupações entre os povos indígenas quanto ao impacto que um boom petrolífero poderia ter em um estado ainda amplamente coberto pela floresta amazônica intocada.

Fonte: Da Reuters


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