Nossa Assembleia Legislativa é um caso perdido – Valdemir Caldas*

Infelizmente, a maioria dos políticos ainda não se deu conta de que comportamento dessa natureza nada agrega de valor à democracia

Valdemir Caldas*

PORTO VELHO – Ao longo dos últimos quinze anos, acompanhamos o amadurecimento de algumas instituições rondonienses. Isso é inegável. Exemplo do que afirmo pode ser observado no Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas, policias Civil e Militar, entre outras. E o que dizer da Assembleia Legislativa de Rondônia? A resposta, de tão óbvia, parece-me supérflua. Os acontecimentos, recentes ou não, falam por si sós. A meu ver, a ALE

RO, com as devidas exceções, é um caso perdido, irrecuperável, não tem mais jeito, pois quando se imagina que aquela Casa de Leis vai entrar nos trilhos e voltar a merecer o respeito dos cidadãos, vem à decepção.

Ainda estão na memória de muitos rondonienses a Operação Dominó, deflagrada pela brilhante Polícia Federal, em 4 de agosto de 2006, que apontou o desvio de, aproximadamente, R$ 70 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa, e a folha de pagamento paralela, um dos maiores escândalos de corrupção do estado, que causou um prejuízo de R$ 11 milhões aos cofres públicos.

 

Teve também o episódio envolvendo um deputado que teria recorrido à verba indenizatória para retocar a fisionomia, recolocando a ALE-RO numa situação desconfortável perante a sociedade, já um tanto quanto incrédula na disposição de boa parte dos que tem assento naquela Casa em levar a sério a função que ocupa – diga-se de passagem -, uma nobre função, especialmente, por se tratar de uma conquista obtida pelo voto.

Infelizmente, a maioria dos políticos ainda não se deu conta de que comportamento dessa natureza nada agrega de valor à democracia. Será que é tão difícil assim aprender com os próprios erros? Um simples olhar para trás já seria suficiente para revelar a maneira como administradores da coisa pública e políticos são capazes de agir em função de seus interesses e devaneios e dos privilégios de grupos aos quais estão vinculados.

*É servidor público aposentado e analista político


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