Mortos no terremotos na Venezuela já são quase 4 mil e governo tenta reaver ouro retido em banco inglês

Tragédia deixou ainda 16.740 feridos e 17.907 desabrigados, de acordo com boletim

CARACAS – Pelo menos 3.811 pessoas morreram até esta quarta-feira, 8, em consequência dos dois terremotos que atingiram o norte da Venezuela há duas semanas, segundo o balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano. Os dados apresentados na terça-feira, 7, data da última atualização, registraram 3.685 vítimas (aumento de 126 mortos).

Os terremotos consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, deixaram ainda 16.740 feridos e 17.907 desabrigados, de acordo com o boletim lido pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

Desastre afetou especialmente o estado costeiro de La Guaira- Foto: Pablo Sanhueza/Reuters

O desastre afetou especialmente o estado costeiro de La Guaira, onde mais de 800 edifícios foram atingidos, dos quais 190 desabaram completamente.

Também nesta quarta-feira, a presidente interina, Delcy Rodríguez, pediu ao rei Charles III que o ouro venezuelano das reservas internacionais, retido no Banco da Inglaterra, seja liberado para que o governo local utilize os recursos no atendimento às vítimas dos terremotos.

No Banco da Inglaterra estão depositados lingotes de ouro da Venezuela, avaliados em US$ 1,9 bilhão. A Justiça britânica já havia recusado ceder o controle desses recursos ao então governo de Nicolás Maduro, por considerá-lo ilegítimo.

“Decidi enviar uma carta ao rei da Inglaterra para que liberem o ouro que está retido no Banco da Inglaterra. Esse ouro pertence ao nosso povo. É para enfrentar as consequências do terremoto”, declarou Delcy Rodríguez.

Mais cedo nesta quarta, o chanceler Yván Gil também havia pedido a liberação dos recursos da Venezuela “bloqueados” no exterior. A ONU, por sua vez, tenta arrecadar quase US$ 300 milhões para ajudar na recuperação do país.

Equipes de busca e resgate percorrem os escombros de um prédio em Los Corales, no estado de La Guaira, após terremotos na Venezuela Foto: Federico Parra/AFP

Rodríguez afirmou ainda que conversou com a diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, para insistir na liberação de recursos da instituição.
“Conversei por telefone com a diretora do Fundo Monetário Internacional, a quem agradeço pela atenção e compreensão, para liberar recursos bloqueados da Venezuela que estão no Fundo.”

A Venezuela possui no FMI 3,568 bilhões de Direitos Especiais de Saque (DES), equivalentes a aproximadamente US$ 5,1 bilhões (aproximadamente R$ 26,2 bilhões), recursos que foram bloqueados porque o fundo não reconheceu Maduro como presidente.

Delcy Rodríguez era vice de Maduro e assumiu a presidência interina da Venezuela depois que o então líder venezuelano foi capturado em 3 de janeiro, durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas. Ele foi levado para os EUA, onde é acusado de narcotráfico.

Fonte: Do Estadão Conteúdo


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