
BRASÍLIA – O ex-presidente Bolsonaro que deu banana corriqueiramente para jornalistas plantados em um cercadinho, o Lula da Silva que faz gesto obsceno endereçado a todos nós e o gesto do ministro prepotente do STF Alexandre de Moraes que não suportou ser vaiado na Arena Corinthians (nome antigo do estádio) revelam não apenas o desapreço pelo decoro exigido no exercício de seus cargos, algo impensável em democracias desenvolvidas, mas um comportamento autoritário, acima do bem e do mal, sem compromisso nenhum com práticas éticas capazes de influenciar positivamente a sociedade.
Mostrar o dedo médio levantado é uma ofensa grave, equivale a mandar a pessoa “à merda.” Pois este foi o espetáculo degradante protagonizado pelo presidente Lula da Silva durante evento público no Palácio do Planalto, no dia 4, quando iniciou o defeso eleitoral, período no qual são proibidas uma série de atividades para evitar uso publico da máquina.

Lula, que tolera apenas a democracia eleitoral e adota o populismo, estilo político no qual o estímulo à divisão da sociedade, de um lado a elite e de outro o povo, é a tônica persistente para se apresentar como autêntico e único representante das massas, se colocou inclusive no dia da inconcebível conduta como se fosse pobre, o que não é raro em discursos do petista.
“Precisamos acabar com essa história de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles (dedo médio em riste). Nós gostamos de coisas boas. Nós queremos é tudo de primeira,” disse, e vá à merda quem disser o contrário, quem disser que Lula integra a elite. Um milionário que declarou R$ 7milhões de patrimônio à justiça eleitoral em 2022.
A banana de Bolsonaro aos jornalistas retratava a impaciência, significava que o interlocutor não tinha importância e que era irrelevante. Agia com desdém e ironia com a imprensa, e não raro desrespeitou jornalistas mulheres. Quebrou o decoro em muitas ocasiões.
Em comum com o populista de esquerda – aspas à vontade-, além de falar besteira à farta e quase nada que interessa ao desenvolvimento do país, destaca-se a exaltação da figura messiânica, o salvador da pátria, isso ao custo de entregar o orçamento nacional à fisiologia parlamentar, com a novidade da emenda secreta revelada pela imprensa, adotada no mesmo diapasão pelo sucessor.

O outrora inimigo do petismo, fascista Alexandre de Moraes, não aceita ser contrariado, que o digam alguns dos que sofreram investigação sobre o vazamento do contrato de R$ 129 milhões assinado por sua mulher com Daniel Vorcaro.
Receber vaias contaminou uma vaidade que exigia manter a toga no cabide para ser persona pública, mas o julgamento do golpe com desvio penal de toda ordem e lugar errado o encurralou no estádio, para desagrado da sua autoridade. Dizem que o fotografo do Estadão Alex Silva teria sido demitido porque escancarou na capa do jornal a foto do dedo médio indecoroso do ministro.
Agindo como agem, essas personalidades não inspiram na sociedade ações boas, moralmente expressivas e agregadoras, eticamente elogiáveis. Não influenciam de forma positiva para promover coesão social, responsabilidade e transformação, respeito aos compatriotas e confiança nas instituições.
Ao contrário. Espelham na sociedade a sua conduta de indignidade, falta de respeito, destruição de valores e desapreço pelas instituições. É como os populistas agem.
Francamente, não dá para continuar desse jeito. A falta de humildade e tolerância e o desprezo por regras de civilidade e rito ao cargo em nada contribuem para nos tornarmos um país melhor. Muito pelo contrário. Quem está no topo tem enorme responsabilidade com o que transmite aos governados.
Lamentavelmente tem sido corriqueira no Brasil a falta de compromisso com o decoro nos últimos anos, e atribuo isso em grande medida à transformação acelerada que os governos populistas de Bolsonaro e muito especialmente Lula (por mais tempo no poder) produziram no exercício do cargo como se o Estado fosse extensão de sua vida privada, e a cadeira da Presidência da República salvo conduto para qualquer desvio.

E se qualquer setor ou setores da sociedade reprovarem ou contradizerem qualquer política ou ausência de compostura, que vão à merda!
É tanta anomalia institucional, tantos vícios e zero apreço por gestão eficiente, com desorganização orçamentária e fiscal, desobediência e interpretação criativa da Constituição e das leis, corrupção e autoritarismo que chegamos a um ponto extremamente perigoso: já estamos em plena vigência de uma autocracia judicial.
Por isso, entendo que nesta eleição é questão de sobrevivência para o Brasil eliminar de vez o populismo das urnas. Os candidatos bem situados nas pesquisas são engrenagens desse processo perigoso em que estamos mergulhados.
Ao populismo, não interessa ter instituições fortes e de fato independentes. As nossas estão bem contaminadas por essa prática política.
Uma engrenagem que desrespeita e sacrifica diariamente o pagador de impostos, quem produz riquezas e gera empregos, a produtividade industrial, o cidadão que cumpre deveres, a educação desatrelada das amarras ideológicas, o livre pensar e o exercício da independência econômica, utilizando-se da sórdida divisão da sociedade com elementos que escapam ao decoro da representatividade presidencial, indica apego a uma única coisa: manter o populista da vez no poder.
É preciso escapar de todo esse mau exemplo que atrasa o Brasil de tantas potencialidades e aprofunda os conflitos sociais. Não permitamos mais em outubro renovar os votos para alguém que mandará de novo brasileiros para aquele lugar.
*É jornalista em Brasília e Rondônia









