Ancelotti brinca sobre mistério na escalação da Seleção: “Jogador dorme melhor do que o treinador”

A seleção brasileira enfrenta a equipe japonesa às 14h (de Brasília), em Houston

HOUSTON (EUA) – Carlo Ancelotti deu entrevista na noite deste domingo, véspera do duelo com o Japão, que será realizado em Houston, às 14h (de Brasília) da segunda-feira, pela segunda fase da Copa do Mundo. O italiano viu um Brasil preparado para o duelo com os asiáticos.

– Para o jogo de amanhã (segunda-feira) precisamos de muitas coisas: mente, coração, ideia clara. Temos que estar preparados para tudo que pode acontecer numa eliminatória, e numa eliminatória pode acontecer muitas coisas. O time está preparado, motivado, tem confiança e foi bem nos últimos dois jogos. O time está preparado para tudo que pode acontecer.

Ancelotti espera mais de Neymar em duelo decisivo com Japão – Foto: Caean Couto/Reuters

Ancelotti arrancou risadas ao ser perguntado como os jogadores dormem caso o treinador não comunique a eles quem vai jogar. A questão se deu pelo fato de ele não ter confirmado se repetirá o time ou não.

– Bem. Ia dormir. Você pensa que o jogador não dorme bem? Habitualmente, o jogador que vai jogar sabe (que vai jogar). O jogador que não vai , não sabe. É uma conversa individual. Mas o jogador dorme muito bem. Melhor do que um treinador.

Questionado se é um especialista em partidas de mata-mata, o italiano mostrou bom humor e destacou a experiência dos atletas.

– Isso não é um mata-mata, é um mata, nada mais (risos). Não há a volta. O Brasil tem a sorte de ter muitos jogadores experientes nesse aspecto. A nível de experiência, a equipe é muito forte, e os jogadores sabem como se preparar para um jogo desses. Nesse aspecto estou muito confiante.

Outros tópicos: horário do jogo

– A rotina vai mudar um pouco, não muito. Jogar ao meio-dia é um pouco diferente, mas jogar nesse estádio é bom, a estrutura é muito boa. Não vamos sofrer tanto com o calor. Os jogadores estão acostumados, sempre treinamos mais ou menos nesta hora. Acredito que não vamos ter problema ao jogar o jogo meio-dia.

Como passar para os jogadores o que eles precisam?

– É uma Copa do Mundo. O futebol é como você pode manejar a pressão focado dentro do que você pode fazer em campo. Vamos focar em todos os aspectos: ofensivo, defensivo, jogar juntos. É um jogo que precisa disso. Jogaremos contra um rival forte, que tem boa organização, que tem boa qualidade. Precisamos ter, sobretudo, isto: ter ideias claras do que queremos fazer em campo.

Altos e baixos

– A gente tem trabalhado muito bem para organizar uma equipe onde há grandes individualidades. O trabalho foi feito para a equipe desfrutar das grandes individualidades que tem.

Repetirá o time?

– Não sei, não quero dar a escalação, porque não quero que vocês fiquem tranquilos demais (risos). Vou pensar a escalação perfeita para amanhã. Se dou a escalação agora, vocês vão ficar tranquilos. Se eu penso, vocês têm que pensar também.

Posicionamento de Matheus Cunha

– A posição de Cunha no último jogo nos deu vantagem porque não é uma posição tão bem definida em campo. É muito importante mudar de posição para não dar muita referência para a equipe rival. Os três (Bruno, Paquetá e Cunha) fizeram um jogo muito bom nos últimos dois jogos neste aspecto.

Neymar pode jogar 15 minutos

– Neymar está evoluindo muito bem, está progredindo. Creio que na última semana ele evoluiu muito, uma pena que não pôde treinar o tempo inteiro que esteve conosco. Pode jogar 15 minutos, obviamente está bastante bem. Depende do contexto do jogo de amanhã e da evolução da partida.

Usaria palavras de atacante japonês falou que o Brasil não é a mesma potência em preleção?

– Não vou falar do que dizem, estaremos focados no jogo, nas qualidades do rival. Vamos preparar bem o jogo, trabalhar bem o que temos que fazer para evitar problemas. Não vamos entrar em jogos mentais, não vamos trabalhar nisso.

O Brasil está no lado mais fácil do mata-mata?

– Não sei, não concordo. Creio que cada jogo é difícil, muito difícil. Há muitas coisas que temos que pensar. Há muita pressão. Sigo convencido de que até agora não há um favorito claro, pode ser que alguns times podem ter jogado melhor do que outros, mas um favorito claro não vejo. Acredito que será um Mundial muito equilibrado.

Derrota em amistoso com o Japão é citada

– Sim, foi uma boa experiência para nós, deu para saber que o Japão tinha uma equipe competitiva e uma das melhores do mundo. Venceu a Inglaterra em março, temos respeito total por eles. Estamos nos preparando para esse jogo como se fosse uma final. E é uma final.

Lições tiradas da derrota para o Japão

– Está forte (a confiança), mas temos a consciência de que temos que jogar bem a partida. Como você lembrou, o Japão nos venceu em novembro. Ganhou jogando muito bem no segundo tempo, obviamente temos isso em conta. Obviamente temos que respeitá-los e vamos respeitá-los.

Como se sente por ser parte da Itália na Copa e o que pensa dos rivais?

– Me sinto bem, sou italiano, é uma experiência fantástica treinar o Brasil, me sinto muito bem nessa posição. O futebol mudou, não há equipe desorganizada, não existe mais, porque todo o mundo estuda, trabalha e aprende. Pode ser que existam equipes com menos qualidade individual, isso é óbvio porque a qualidade individual e o talento fazem parte da genética, mas equipes desorganizadas e ruins no aspecto físico não existem. Todos trabalham forte, jogam com intensidade e lutam. Me surpreendeu bastante a organização defensiva e a intensidade de todos os times e de todos os treinadores.

Característica do Japão de sair com a bola o faz repensar o estilo do Brasil?

– Sim, a saída de bola do Japão é muito boa. Quando eles passam da pressão, são muito perigosos. Estamos considerando qual tipo de pressão estamos planejando para a equipe.

Você nunca treinou japoneses. Se pudesse escolher um, quem você pegaria?

– Estou seguindo um que joga no meu time, que é o Parma, o Suzuki (goleiro). Está muito bem e é muito respeitado em minha região.

Equipe concentrada

– A equipe está concentrada, motivada e preparada para tudo que pode acontecer no jogo de amanhã. Podem ser muitas coisas, como prorrogação e pênaltis. Estamos trabalhando todos os aspectos.

Por Bruno Cassucci e Cahê Mota — Houston
Fonte: Globo.com


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