Vereador do PT em São Paulo foi perdoado pelo PCC após devolver dinheiro desviado, diz polícia

Vereador Senival Moura e mais 4 pessoas foram alvo de mandados de prisão em operação do MPSP contra lavagem de dinheiro do PCC

SÃO PAULO – O vereador Senival Moura (PT), preso nesta quinta-feira, 25, por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), foi perdoado pela facção após ressarcir um dinheiro que teria desviado de um esquema criminoso na empresa de ônibus da capital Transunião, segundo a polícia.

De acordo com a investigação, Senival chegou a ser jurado de morte pelo PCC, assim como Adauto Soares Jorge, ex-diretor da empresa apontado como operador do parlamentar. Ao contrário do que ocorreu com Senival, Adauto foi morto a tiros em uma padaria em Lajeado, na zona leste da capital, em 2020.

 

“Vereador foi perdoado pelo partido em razão do ressarcimento do que ele havia desviado”, afirmou Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em entrevista coletiva.

O delegado, no entanto, disse que não há informação sobre qual teria sido o valor ressarcido.Em seu sexto mandato como vereador de São Paulo, Senival Moura foi preso no âmbito da Operação Última Parada, deflagrada pelo Ministéri0 Público de São Paulo (MPSP) e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil. Ele é suspeito de ser o “dono oculto” da empresa de transporte público Transunião e de atuar na lavagem de dinheiro para o PCC.

Ainda de acordo com as investigações, Senival seria uma “instância superior de comando” no esquema de lavagem de dinheiro. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.

Atualmente, o vereador ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora e de presidente da Comissão de Transporte na Câmara Municipal de São Paulo. As investigações apontam, inclusive, que a atuação dele na comissão lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor no qual a Transunião opera.

O Metrópoles entrou em contato com a assessoria do vereador Senival Moura por e-mail e não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

Operação Última Parada

A Operação Última Parada, desta quinta-feira, começou a partir de uma investigação iniciada ainda em 2020, após a morte do então presidente da Transunião, Adauto Soares. Na investigação sobre a morte de Adauto, as autoridades coletaram provas que apontavam o uso da Transunião no esquema do PCC.

Apenas em 2025, a empresa auferiu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano.

A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados, além de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, ficou comprovada a existência de um núcleo paralelo para tomar decisões relativas à empresa, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans, disse que aguarda notificação da decisão judicial para avaliar providências a serem tomadas. Enquanto isso, a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade.

Por: Renan Porto
Fonte: metrópoles.com.br


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