Editorial – Quatro mortes brutais em 6h na nova 364 não são bastante para sensibilizar as autoridades?

Essas pessoas mortas nesta terça-feira na nova 364 tinham toda uma vida pelo frente, com potencial de contribuir para o desenvolvimento de Rondônia

Carlos Araújo

PORTO VELHO – O que será preciso para que alguma autoridade ou as autoridades se sensibilizem com o absurdo que acontece diariamente na nova BR-364 – a rodovia da morte remunerada – para que as autoridades se movimentem para cobrar responsabilidade da concessionária que arrecada milhares ou talvez milhões de reais todos os dias na única rodovia federal que corta o estado de ponta a ponta e ainda serve de acesso dos demais estados do norte com o Centro-Oeste e as outras regiões do Brasil?

Nesta terça-feira registrou-se quatro mortes no período de 6 horas na BR-364 entre Vilhena e Porto Velho.

Logo pela manhã um jovem empresário de Cacoal perdeu a vida no trecho da rodovia entre a cidade de Presidente Médici e Ji-Paraná. Logo depois nas proximidades da cidade de Jaru um casal que trafegava em uma motocicleta se envolveu em um acidente com a outra moto caiu sobre a rodovia e foi esmagado por um caminhão que passava pelo local naquele momento.

A imagem dos corpos despedaçados na rodovia é chocante.

Mas ainda assim parece que está tudo normal.

Nenhuma manifestação da empresa caça-níquel responsável pela cobrança do pedágio ou de qualquer autoridade.

No início da tarde outra perda.

Pouco antes das 15 horas uma servidora pública da secretaria de desenvolvimento ambiental do Estado perdeu a vida em uma colisão frontal entre duas caminhonetes próximo a cidade de Candeias do Jamari onde existe uma praça de arrecadação de pedágio.

Tudo automatizado com uso de tecnologia que favorece a opressora cobrança do absurdo pedágio mais caro do Brasil sem nenhuma contrapartida de melhorias ou de assistência verdadeira aos usuários da rodovia.

Será que nenhuma autoridade se importa com esta aberração, com as jovens vidas que foram brutalmente interrompidas nesta terça-feira?

Ou será que só se sensibilizarão quando seus familiares forem as vítimas?

Pelo andar da Carruagem parece que nem mesmo a população está dando a devida atenção a este problema, já que a responsabilidade por esta absurda concessão deve recair sobre a bancada federal de Rondônia – todos e não só o Confúcio Moura. Porque o que se vê – são membros desta bancada sendo ovacionados em encontros políticos – e alguns contam como certa a reeleição.

Veja o vídeo do acidente que matou o jovem empreendedor de Cacoal:

Não se viu nestes encontros ninguém cobrando responsabilidade pela matança na rodovia da morte remunerada.

A bancada federal jogou a toalha o governo estadual se faz de Gato morto e para ser justo apenas o ministério público federal entrou com uma ação, mas só questionando o valor do pedágio e não o absurdo de pagar para transitar em uma rodovia que não passou por nenhuma melhoria em relação ao que era quando era administrada pelo departamento nacional de infraestrutura terrestre o Dnit.

Quantas vidas ainda teremos que perder para que alguma providência seja tomada em relação a esta matança sem fim na principal rodovia de Rondônia?

Afora uma ou outra iniciativa isolada, como da Câmara de Vereadores de Cacoal, da Aprossoja e do Crea (Conselho Regional de Engenheira), toda a classe política, as prefeituras ou a Arom, a Assembleia Legislativa, a imprensa e a população parece concordar ou está sendo beneficiada com a absurda concessão da indispensável BR-364.

Além das vidas perdidas que representam uma incalculável dor aos familiares, os impactos econômicos negativas para o estado.

Essas pessoas mortas nesta terça-feira na nova 364 tinham toda uma vida pela frente, com potencial de contribuir para o desenvolvimento de Rondônia, mas que simplesmente perdem a vida e não se vê nenhuma indignação das autoridades ou da sociedade.

Credo!

Até o próximo acidente!

É importante lembrar que quase ninguém em Rondônia se coloca contra a concessão da rodovia, mas contra o modelo e a cobrança antecipada de pedágio sem prazo ou certeza de que as obras de melhorias serão implementadas.

Carlos Araújo, para o www.expressaorondonia.com.br


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