
PORTO VELHO – Carnes brazukas vetadas pela Europa – “Sabedoria se é demais vira bicho e come o sabido”, diz Zé de Nana. Argentina e Brasil lutaram pelo Mercosul, ideia surgida em 1980 e firmada por Sarney e Alfonsin em 1985 e efetivada em 1991. Já estivemos na proa, a reboque, vimos o Mercosul, filho crescer aos trancos e barrancos, ser aceito pela UE e seria a hora de o Brasil usufruir do que produzimos como celeiro do mundo. Aí pintou um entrave e a carne não a do Mercosul, mas só do Brasil foi vetada ppara a Europa, justo no momento em que o Brasil de Lula está às turras com o Laranjão, dizendo que vai em busca de novos parceiros e quando a China anuncia que aceita comprar a carne brazuka sem restrições territoriais.



Claro que para tudo há uma razão e afirmo que o veto da UE é fruto da burocracia e leseira, conjuminadas com a bobeira e o vacilo como podem ver nestas explicações. Agora é correr atrás da China ou do prejuízo.
Agro em crise existencial I
Empresas do agro com bom nível de desempenho e de governança passam apuros mas têm vias para negociar dívidas e diversificar investimento, mas desde o fim do ano passado a inadimplência do agro afundou o balanço do Banco do Brasil e fez tremer famílias de agricultores que dependem quase que somente do agro. A crise é séria e nem vimos toda sua cara perversa, mas cito tópicos bem relevantes para uma análise superficial: Preço das commodities em queda – é internacional. Custos de produção – Subiram os preços dos fertilizantes, defensivos e insumos. Quebras de safra – Eventos climáticos reduziram a colheita. Taxa de juros – Juros penalizam o credito e refinanciamento.


Alavancagem financeira: Máquinas e tecnologia adquiridas a credito por anos a fio reduzem o disponível financeiro. Dívidas em dólar: O câmbio volátil pressiona o contrato de balcão e o contrato barter. Recuperação judicial: PJ e PF vivem hoje o cenário caótico. Restrição do crédito geral: Bancos e Fiagros estão mais seletivos para conceder empréstimos e bem rigorosos com cadastros. As máquinas modernas existem, mas o movimento mesmo está nas oficinas de recuperação lotadas de máquinas usadas. Verdade.
Agro em crise existencial II
Agricultura precisa de água, sol e dinheiro. O dinheiro financia o plantio, socorre nas intempéries e garante entregas e contratos. O crédito rural está na transição forçada para o banco privado e as razões são: Redução das linhas equalizadas: Há dinheiro, mas os juros subsidiados pela União encolheram levando o agro a buscar os bancos privados. Aumento do custo do dinheiro: O governo precisa financiar a máquina pública e compete com o agro que busca no mesmo banco o financiamento da safra.

Busca do banco privado: Instrumentos como Cédula de Produto Rural (CPR), Fiagros e securitização são os reais financiadores hoje, à disposição e a Faria Lima é que dá as cartas e o ritmo do agro. Vulnerabilidade de pequenos e médios: Sem subsídio e opções competitivas o setor precarizou e é pior, é ele que gera mais empregos. Insegurança com o Seguro Rural: Os cortes e contingenciamentos da subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) deixam o produtor vendido quando ocorrem as intempéries climáticas. Sem seguro e sem crédito barato, o risco de inadimplência explode a qualquer sinal de seca ou chuva e aí vem a Pressão por socorro emergencial: R$ 100 bilhões em dívidas vencidas impossíveis de serem absorvidas pelos bancos privados esperam uma solução do governo. E agora José? A crise ao que parece é só a ponta do iceberg.
Fato corriqueiro: no Acre, mais uma ponte que cai
Pontes são obras sobre rios que assim como ribanceiras, motos, idosos e crianças que ainda não sabem andar, um dia caem. A ponte construída no Acre entregue em janeiro de 2024 – só dois anos! – deveria ficar de pé para ser usada por muito tempo. Reclamações sobre a fragilidade, porém ocorriam antes da entrega. Pontes tem essa mania de cair por qualquer coisiquinha de nada e por isso o construtor tem que dar garantia de cinco anos. O certo é que a ponte pah! E depois do susto e feridos, o governo tomou providencias primeiro lamentando e depois explicando que a causa foi a queda da ribanceira – lembra que falei da ribanceira? – e que vai adotar as “medidas judiciais”.

A obra foi feita na modalidade integrada com projetos e execução sob responsabilidade da empresa que deve reparar os danos sofridos sem custo ao erário. Nada sobre lucros cessantes, outras penas e compensações. O povo do Acre vai esperar o resultado que deve ser o de sempre: pagar por nova ponte. O povo tem essa mania de assumir prejuízos do estado enquanto políticos embolsam lucros decorrentes das intercorrências na obra como uso de material de segunda, alteração do projeto e aditivos até a natural e esperada queda da ponte.
Censura escancarada por quem devia combatê-la
Depois do estrago feiro contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro, o penduricalho do sistema jurídico nacional chamado TSE, passou a navalha na Atlas Intel e mandou a pesquisa marota do áudio em que Flávio pede ajuda a Vorcaro para o filme sobre a vida do seu pai Jair Bolsonaro. Linha de tempo: em 13 de maio o IntercePT vazou o áudio e no dia 19 Atlas Intel divulga a pesquisa feita em cima do áudio. Ao fim e ao cabo quase um mês se passou com a “tragicomédia” rolando nas redes sociais e agora o ministro Nunes Marques de uma canetada manda dar “um delete” geral, o convenhamos é censura e até onde se sabe, ninguém pensou em auditar o áudio ou tentar descobrir como um áudio que estava nos celulares do Vorcaro em poder da PF caiu “sem querer” nas mãos de alguém do IntercePT, o mesmo site que fez o trabalho do Moro e Dalangnol “substrato de cocô jurídico”.

E aqui surge um novo trem de ferro desembestado e carregado de brita. A decisão do Nunes Marques passará pelo crivo do STF. Será que teremos a legalidade surgindo e a decisão do Nunes Marques derrubada? Será ruim para ele, para o STF, para o Flávio, porém excelente para a ordem jurídica constitucional. Se vão desentupir o esgoto abram-se as passagens obstruídas e vamos expor tudo. O cheiro não é bom, mas no final resolve. Contra todo tipo de censura, a lei, a luz do sol e a liberdade de expressão. E ai? Vão investigar o IntercePT? Pelo pouco que se sabe vale a pena investigar.
Fim de papo


O Brasil que já mandou um avião ao Peru buscar aquela moça que iria em cana por corrupção, poderia mandar nossos auditores e especialistas eleitorais ou até as nossas urnas para saber quem vai mandar no Peru agora. O Peru está quase todo à vista, mas faltam a cabeça e o pescoço. Bicho enroscado é o tal do Peru.









