Para Ibama, queda das queimadas em 2025 em Rondônia resultou da ação antecipada e integração entre órgãos

Guimarães avalia que a repetição do modelo de 2025 depende de manter a integração entre órgãos e a antecedência das operações, mesmo em ano eleitoral

PORTO VELHO – A redução da fumaça e dos focos de incêndio em Rondônia em 2025, após um 2024 marcado por semanas de ar carregado na capital, foi resultado de ação antecipada e integração entre órgãos ambientais e forças de segurança. A avaliação é do superintendente do Ibama no Estado, César Guimarães, em entrevista ao jornalista Carlos Araújo no programa Manchetes do Dia, exibido em 29 de janeiro de 2026.

Segundo Guimarães, a principal mudança foi a adoção de uma estratégia preventiva, com operações iniciadas antes do período crítico e atuação conjunta de instituições como Ibama, Sedam, secretarias ambientais e forças policiais. “A diferença foi a antecipação e o trabalho integrado”, afirmou.

Porto Velho encoberta por fumaça em 2024 — Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica

Uso do fogo segue como principal vetor de risco

Na entrevista, Araújo destacou que a prática de queima para preparo do solo ainda é comum no campo e lembrou que, historicamente, produtores costumavam esperar a chegada das primeiras chuvas para reduzir o risco de perda de controle. Guimarães disse que, embora a legislação permita queimadas sob autorização, o problema é a recorrência de fogo fora do calendário e sem licença, sobretudo no auge da estiagem, quando a umidade cai e o material seco vira combustível.

O superintendente associou os incêndios de grande escala a áreas extensas e criticou o uso do fogo como método “barato” de abertura e limpeza. Para ele, os impactos recaem sobre toda a população, sobretudo crianças e idosos, mais vulneráveis à piora da qualidade do ar.

Origem da fumaça de 2024

Guimarães afirmou que, em 2024, a fumaça que se concentrou sobre Porto Velho teve contribuição relevante de áreas próximas, como o Parque Estadual de Guajará-Mirim e regiões do entorno, além do sul do Amazonas. Ele mencionou ainda a chegada de plumas de fumaça de outras áreas, inclusive de fora do País, como a Bolívia, além de Estados vizinhos, mas ressaltou que a medição precisa da origem é tecnicamente difícil.

Ao comentar o caso do Parque Estadual de Guajará-Mirim, disse que houve episódios de tensão durante o combate a incêndios, com necessidade de reforço de segurança em determinadas frentes.

Jornalista Carlos Araújo e o superintende do Ibama em Rondônia, César Guimarães

Reforço de estrutura e mais brigadistas

O superintendente afirmou que o Ibama ampliou sua capacidade operacional em Rondônia. Entre as medidas, citou aumento de efetivo e contratação de brigadistas temporários para o período mais crítico. Segundo ele, o contingente de brigadistas passou de cerca de 120 para aproximadamente 330, com atuação concentrada entre maio e novembro.

Guimarães também disse que as ações de fiscalização começaram mais cedo em 2026, com equipes em campo ainda em janeiro, em operações simultâneas.

Indicadores citados na entrevista

O superintendente apontou, como resultado do esforço conjunto, redução de 33% no desmatamento e de 80% nos focos de queimadas em 2025, na comparação mencionada durante o programa. Ele atribuiu os números à combinação entre fiscalização, presença antecipada e maior colaboração social.

Embargo pesa mais do que multa, diz Ibama

Ao tratar de sanções, Guimarães afirmou que o embargo costuma ter efeito mais imediato que a multa, por restringir acesso a crédito e dificultar a comercialização. “O embargo mexe com a atividade e com o financiamento”, resumiu.

Veja abaixo a íntegra da entrevista:

Ano eleitoral e risco de descontinuidade

Guimarães avalia que a repetição do modelo de 2025 depende de manter a integração entre órgãos e a antecedência das operações, mesmo em ano eleitoral. Ele disse que reuniões e tratativas já começaram para organizar ações de prevenção e resposta antes do período seco.

Sobre o clima, afirmou que os prognósticos são atualizados por trimestre e que, até o momento, não há indicação de repetição do cenário extremo de 2024, embora o monitoramento continue.

Atuação “técnica”, sem viés partidário

Questionado sobre críticas de viés ideológico, o superintendente afirmou que a atuação do Ibama deve ser técnica e que servidores trabalham para o Estado, independentemente do governo. Ele disse que divergências políticas não podem interferir em fiscalização e controle ambiental.

Ao fim da entrevista, Carlos Araújo agradeceu a participação e disse que o programa seguirá acompanhando as medidas de prevenção para reduzir queimadas e seus efeitos sobre a saúde e a economia em Rondônia.

Por: Daniel Paixão, especial para www.expressaorondonia.com.br


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