Protestos se espalham pelo Irã e desafiam repressão do regime (Vídeo)

TEERÃ — Manifestações contra o governo iraniano ganharam fôlego nos últimos dias e passaram a ocorrer simultaneamente em diversas cidades do país, em um movimento marcado pela persistência dos manifestantes e pela intensificação da repressão estatal. Apesar das prisões, da violência policial e das restrições à comunicação, participantes relatam que o clima nas ruas é de desafio aberto às autoridades.

Segundo relatos colhidos por veículos internacionais, protestos têm sido registrados em grandes centros urbanos e também em cidades de médio porte, indicando uma mobilização que extrapola grupos específicos e alcança diferentes setores sociais. Em palavras recorrentes entre os manifestantes, “todos estão nas ruas”, expressão que sintetiza a sensação de adesão ampla ao movimento.

Inicialmente impulsionadas pelo agravamento da crise econômica — com inflação elevada, desemprego e perda do poder de compra —, as manifestações rapidamente incorporaram críticas diretas ao sistema político da República Islâmica. Cânticos e cartazes passaram a questionar a legitimidade do regime e a exigir mudanças estruturais, indo além de reivindicações pontuais por melhorias materiais.

A resposta do Estado tem sido dura. Forças de segurança empregaram gás lacrimogêneo e munição não letal para dispersar multidões, além de realizar detenções em massa. Organizações de direitos humanos relatam mortes durante confrontos, embora não haja números oficiais consolidados. O governo também restringiu o acesso à internet e a serviços de telefonia móvel, numa tentativa de dificultar a organização dos protestos e a circulação de imagens para o exterior.

Autoridades iranianas afirmam que os atos são estimulados por “inimigos estrangeiros” e classificam os participantes como vândalos. Em pronunciamentos recentes, o líder supremo, Ali Khamenei, reiterou que o regime não cederá à pressão das ruas e prometeu manter a ordem “a qualquer custo”.

Apesar disso, depoimentos de manifestantes indicam que o medo deixou de ser um fator decisivo. “Sabemos que podemos ser presos ou mortos, mas continuar em silêncio é pior”, afirmou um jovem entrevistado sob condição de anonimato. Para analistas, esse sentimento ajuda a explicar a continuidade das mobilizações mesmo diante da repressão crescente.

Especialistas em política do Oriente Médio observam que a atual onda de protestos se distingue de episódios anteriores pela combinação de descontentamento econômico com uma contestação explícita ao poder político e religioso. A presença de jovens, mulheres e trabalhadores urbanos sugere um movimento heterogêneo, sem liderança centralizada, mas com forte capacidade de mobilização espontânea.

O governo, por sua vez, aposta no controle policial e na limitação da comunicação para conter o avanço dos atos. O resultado desse embate permanece incerto. Enquanto as autoridades reforçam o discurso de estabilidade, as ruas continuam a revelar um país em ebulição, no qual parte significativa da população demonstra disposição para confrontar abertamente o regime que governa o Irã há mais de quatro décadas.



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