EDITORIAL – Reajustar a conta de luz em quase 15% a 10 dias do Natal é tirar o panetone da boca das crianças

Uma medida dessas não apenas desrespeita o consumidor — ela falha com o espírito do próprio período natalino, que deveria trazer algo mais leve, mais humano e mais justo

PORTO VELHO – A conta de luz – um dos maiores tormentos da classe menos abastada no momento – a ser paga em janeiro ficará quase 15 por cento, 14,46% exatamente, mais  cara. É, como disse o deputado federal Rafael Fera, único membro da bancada federal de Rondônia a se manifestar sobre o tema, uma covardia com a população. Por que este aumento bem no final do ano, quando aumenta os gastos da família, inclusive com a conta de luz em função da iluminação natalina maior uso dos eletrodomésticos, etc?

Reajustar a conta de luz no final do ano, quando as famílias aumentam as despesas, é como retirar o panetone da boca das crianças.

Brasília – O consumo de energia elétrica no país fechou os primeiros três meses do ano com queda acumulada de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

É, no mínimo, uma crueldade com as famílias brasileiras. É nessa época que o orçamento  fica mais apertado: tem compra de presentes, preparação das festas, eventual viagem para rever um familiar que não se vê há muito tempo, as, confraternizações e, claro, o aumento natural do consumo de energia com iluminação especial, ventiladores, eletrodomésticos e toda a movimentação típica do período natalino.

Quando o país inteiro se prepara para celebrar, para compartilhar momentos e para dar aos filhos um fim de ano mais alegre, chega a notícia de que a tarifa de energia vai subir. É como retirar o panetone da boca das crianças.

O reajuste pesa, desanima e causa indignação, porque alcança justamente quem mais sofre com qualquer acréscimo no custo de vida: as famílias de renda baixa e média, que fazem malabarismo para manter as contas em dia.

O fim do ano deveria ser uma época de alívio, de união, de esperança renovada. Mas, com aumentos anunciados em cima da hora, o que se vê é mais preocupação, mais sacrifício e mais dificuldades para quem só queria celebrar sem medo de olhar a próxima fatura.

Uma medida dessas não apenas desrespeita o consumidor — ela falha com o espírito do próprio período natalino, que deveria trazer algo mais leve, mais humano e mais justo.

Será que seria possível repensar este reajuste e diluir em mais de uma vez e, também cobrá-lo ao longo do ano e não todo de uma vez e justamente nas vésperas do Natal?

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