PORTO VELHO – Uma Frente Popular no Oeste do Brasil, livro do jornalista e produtor Zola Xavier da Silveira, começa com uma descrição sintética do grande líder da oposição no extinto Território Federal de Rondônia, Renato Clímaco Borralho de Medeiros. Negro, médico, músico, amante do futebol e socialista. Nascido na cidade de Belém do Pará, onde se formou em medicina, apreciador da boa música e tocador de violino. Renato Medeiros foi o último dos lendários pele-curtas, venceu a eleição de 1962, mas foi cassado pela Ditadura Militar em 1964.

Esse é o lead do ativista histórico e cultural, Serpa Amaral para apresentação do livro que será lançado dia 24 deste mês na Casa de Cultura Ivan Marrocos, a partir das 19h. O autor, filho do lendário ex-vereador Dionísio Xavier, estudou no antigo Colégio Dom Bosco e se mudou ainda jovem para o Rio de Janeiro. Dionísio, o Dió, publicou nos anos 1970 o jornal A Palavra, em Ji-Paraná.

Zola Xavier explica que o livro reúne 13 textos com personagens e temas contextualizados, construídos a partir de pesquisas em jornais encontrados nos acervos da Biblioteca Nacional e nos arquivos da Associação Brasileira de Imprensa, ambas no Rio de Janeiro.

Renato Medeiros, Gilberto Mestrinho, João Goulart e o jornalista Vinícius Danin

O livro trata do incêndio na Catedral ao Palacete Rio Madeira e outras histórias do Território Federal de Rondônia. “Bem escrita, bem documentada, esta obra de Zola Xavier da Silveira descortina momentos interessantíssimos da História contemporânea do Brasil. De imediato, convém destacar seu ineditismo: o foco de Zola é o Estado de Rondônia, sua terra natal”, descreve a Aquarius Produções Culturais.

“Eu diria que Rondônia que homenageia, como sabemos, um dos maiores humanistas que o Brasil já teve, o Marechal Rondon pode se orgulhar, a partir de agora, de contar com um trabalho impecável de memória histórica e lembrança política. Mais, até: de resgate sensitivo, uma vez que o autor faz reviver nas páginas de seu livro figuras humanas de rica trajetória.”

Zola narra a luta de Renato Medeiros, Eliezer Santos, o Bola Sete, Aurélia Banfield, Dionísio Xavier, pai dele, João Lobo e tantos outros lutadores e lutadoras sociais exemplares –  pessoas que, com seu desprendimento e generosidade, ajudaram a fertilizar o solo brasileiro.

“Além disso, Zola nos reserva uma informação das mais relevantes, surpreendente mesmo: a no possível estadia do guerrilheiro Ernesto Che Guevara em Porto Velho, pouco tempo antes de o legendário revolucionário encontrar a morte na Bolívia, em 1967.”

Segundo o historiador Ivan Alves Filho, licenciado pela Universidade Paris VIII (Sorbonne) e pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais na Capital francesa, a obra de Xavier “é um trabalho impecável de memória histórica e lembrança política.”

“O trabalho dele reaviva alguns dos principais acontecimentos nos embates entre as forças populares e a oligarquia que se instalou na região, no período entre a nacionalização da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré em 1932, até o golpe civil e militar de 1º de abril de 1964.”

Ainda conforme o historiador, o livro é “um resgate sensitivo”, porque o autor “faz reviver lutadores exemplares.”

EXPRESSÃO RONDÔNIA

 

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